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ISSN 1983-697X
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A solução da madrugada PDF Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Perissé   
17-Mar-2008

 

Cidades imensas como São Paulo tornaram-se intransitáveis, irrespiráveis. Desde a volta às aulas deste ano, o morador do principal centro econômico do país se sente prisioneiro da entropia — mais crescimento, mais confusão, mais velocidade, mais paralisia.

 

Ofereço uma sugestão gratuita: descobrir a madrugada!

 

O dia tem quatro períodos de 6 horas. Das 6h às 12h, a cidade trabalha. Das 12h às 18h, faz compras, busca filhos na escola, corre para casa. Das 18h às 24h, freqüenta escolas, faculdades ou cursos livres, namora, diverte-se. Sem falar naqueles que, em casa, continuam trabalhando...

 

Mas o que fazer da meia-noite em diante? Por que não dormir em horários alternativos, como já fazem trabalhadores noturnos de fábricas, postos de saúde?

 

Criar vida coletiva madrugadeira. Faculdade pela madrugada. Cinema na madrugada. Esporte de madrugada. Novos horários para serviços ‘madruguistas’. Em locais que não perturbem o justo sono dos outros. Redistribuição espontânea/induzida dos turnos existenciais.

 

Acordarei às 23h. Tomarei meu café madrugal. Irei trabalhar. Ou estudar. Ou pagarei as contas nos bancos (abertos). Cuidarei de assuntos burocráticos. Às 6 da manhã, almoçarei. Ao meio-dia, fim do dia. Em casa, jantar... Descanso, família, amigos. Às 16h, cama, longe do rush.

 

Muitos notívagos se sentem inúteis nas chamadas horas mortas. Salvam-nos a internet, a tela da TV, a leitura. Insones, passarão a movimentar a madrugada urbana cheia de vida.

 

Se metade da população tiver opções madrugadeiras, todos respiraremos melhor. Madrugada, palavra proveniente do latim vulgar maturicare, madurar, amadurecer mais cedo, antecipar-se ao caos.

 

Em plena madrugada, haverá mais luzes acesas, mais transporte coletivo, o metrô circulará 24 horas, restaurantes, lanchonetes e lojas em geral de portas abertas. Haverá clientes sempre, em toda parte.

 

"Deus ajuda a quem cedo madruga", profetizaram os antigos. Essa idéia mesmo, aliás, fiquei mentando (a mente trabalha depois da meia-noite) às 4 da matina.

 

Que a energia acumulada e perdida na madrugada venha à tona nos escritórios, academias de ginástica, serviço público, consultórios médicos, lugares de diversão.

 

Quantos já não fazem da madrugada espaço e tempo vitais?

 

Mais do que rodízio de automóveis, rodízio de gente. Digamos que 50% da população passe a acordar às 23h, depois de uma boa tarde-noite de sono. A outra metade estará colocando o pijama e sonhará com os anjos, sem ter vivido o pesadelo das ruas apertadas, das filas enervantes, da correria que mata.

 

Gabriel Perissé é doutor em educação pela USP e escritor.

 

Website: http://www.perisse.com.br/

 




  Comentários (3)
 1 análise conservadora
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 17-03-2008 20:23
Hum!!! apesar de bem humorada, a "saída" é conservadora, não altera o ´x´ da questão que é a loucura do consumo,,, sem mexer nisso, teremos engarrafamentos de madrugada e mais poluição...
 2 Palpite infeliz
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email website, em 18-03-2008 05:22
Quanto ao comentário do Raul Costa posso afirmar que não vejo humor, mas solução paliativa, não vejo loucuro do consumo posto que a população será a mesma.Quanto ao engarrafamento cairá pela metade (se houver) a menos que esteja se referindo ao engarrafamento maior devido ao manor consumo etílico, costume "madrugadeiro". Viva a Noiiiitteee... ic.
 3 Dispenso
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 18-03-2008 13:16
Valeu pelo humor. Mas, falando sério,eu prefiro que a solução passe pela redução do número de carros nas ruas e por investimento em transporte de massa e com qualidade. De tão trágico, chega a ser cômico ver quilômetros e quilômetros de congestionamentos nas estradas e em grandes cidades. Isso sem contar os danos ambientais e à saúde, conta paga "democraticamente" pela população.

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