A maioria dos analistas internacionais prevê que a economia
mundial deve entrar em curva descendente, durante 2008. Mas também existe um
certo consenso de que o maior crescimento dos países em desenvolvimento deve
contrabalançar o fraco desempenho dos países desenvolvidos.
Essas previsões têm como parâmetros o crescimento da
economia mundial, entre 2006 e 2007, que caiu de 3,9% para 3,6%, e deve descer
para 3,3%, em 2008. Essa queda no ritmo de crescimento mundial se deve,
principalmente, às dificuldades da economia dos Estados Unidos. Os países em
desenvolvimento, por seu turno, mantiveram, em 2006 e 2007, um crescimento
médio de 7,4%, que também deve baixar, em 2008, embora para 7,1%, uma taxa
ainda elevada, se comparada com a previsão de crescimento médio de 2,2%, para
os países desenvolvidos.
Entre os países em desenvolvimento, foram os asiáticos da
região do Pacífico que alcançaram as maiores taxas de crescimento, acima de
10%. Mas muitos países da África e da América Latina também obtiveram taxas
superiores às dos países desenvolvidos, o que é surpreendente, se o fato for
comparado a situações históricas anteriores. Era comum que a queda do
crescimento econômico nos países desenvolvidos tivesse reflexos negativos
graves e imediatos sobre os países em desenvolvimento.
No entanto, atualmente, é o robusto crescimento dos países
em desenvolvimento, principalmente China e Tigres Asiáticos, que tem mantido
elevados os preços das commodities. Os países exportadores dessas mercadorias,
em geral países pobres e de desenvolvimento mais retardatário, têm se beneficiado
dessa situação.
Isso não significa, porém, que tais países estejam
totalmente protegidos contra os riscos da desvalorização do dólar americano, de
uma recessão nos Estados Unidos e da volatilidade do mercado financeiro
internacional.
A desvalorização do dólar, por exemplo, está ajudando os EUA
a reduzirem seus déficits, e contribuindo para o equilíbrio global, mas vem
tendo efeito negativo sobre as receitas das exportações dos países em desenvolvimento. Ao
mesmo tempo, ela fez as exportações americanas crescerem rapidamente,
aumentando a competição comercial em nível global. Além disso, o recente
aumento no preço dos grãos, parcialmente causado pela maior produção de
biocombustíveis, está ameaçando a renda das populações pobres em todos os
países.
Em outras palavras, a situação mundial é diferente do
passado. Um espirro forte de uma grande potência talvez já não consiga deixar o
resto do mundo gripado. Mas seria um grave erro supor que todos estão imunes.
Wladimir Pomar é analista político e escritor.
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