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ISSN 1983-697X
A recessão nos EUA e seus reflexos PDF Imprimir E-mail
Escrito por Altamiro Borges   
11-Jan-2008

 

 

Agora não são somente os críticos do desastroso governo Bush que alertam. Até os economistas ortodoxos, ligados aos círculos financeiros, prevêem que os EUA entrarão em recessão em 2008. Numa enquete recente, a agência de notícias Bloomberg constatou que a maioria dos analistas de mercado avalia que o PIB do país sofrera retratação já neste primeiro trimestre. Goldman Sachs, Merrill Lynch e Morgan Stanley, poderosas máfias financeiras, também temem o pior, apesar das nuances nas analises entre os mais e os menos pessimistas – sem que haja nenhum otimista.


Motivos para temores não faltam, já que a situação da economia ianque é grave. Ela é totalmente parasitária, endividada, e está enferma há tempos. A crise imobiliária, no ano passado, foi apenas a ponta do iceberg, levando ao despejo milhares de estadunidenses. O dólar continua derretendo no mundo, abalando um dos pilares do império. O desemprego volta a bater recordes, atingindo 5% da população economicamente ativa em dezembro. As compras do Natal passado foram as piores dos últimos anos e o Iraque virou o novo Vietnã. O pessimismo toma conta dos ianques!

O declínio do império

Segundo recente pesquisa da CNN, 57% dos estadunidenses avaliam que o país já se encontra em recessão. Para David Brooks, do La Jornada, este pessimismo é compreensível. “Milhares perderam suas casas com a crise da divida hipotecária, um em cada 10 padece de fome, o salário real da grande maioria dos trabalhadores não melhora a mais de 30 anos... O ‘sonho americano’ se define muito simplesmente: a nova geração gozará de melhor nível de vida do que a anterior. Mas este mito fundamental no país está se desvanecendo rapidamente. Pesquisa recente detectou que somente 16% acreditam que seus filhos terão melhores condições financeiras do que a sua”.

Em certo sentido, a ameaçadora recessão confirma a tese do declínio relativo – e não do colapso imediato – do “império do mal”. Como afirma o jornalista Umberto Martins, “a crise imobiliária e a crise do dólar revelam a fragilidade da economia estadunidense, que ingressou no século 21 amargando o colapso do ‘Nova Economia’ e a recessão de 2001. São fatos desconcertantes para quem apostou as suas fichas no relançamento da hegemonia econômica dos EUA e alimentou a idéia de que a superpotência em declínio seria a grande locomotiva da economia internacional pelo menos até 2050. Felizmente, a realidade tem o dom de dissipar ilusões”.

Otimismo excessivo do BC

Diante deste cenário sombrio, que aterroriza os donos do capital, quais os reflexos no restante do mundo? É certo que, mesmo combalida, a economia ianque ainda ocupa posição de destaque no planeta. Caso entre realmente em recessão, toda a economia mundial será atingida – inclusive a brasileira. Um dos efeitos será o da redução das importações, principalmente das dependentes e limitadas commodities. Também poderá ocorrer fuga de capitais, inclusive nos investimentos diretos, e quebradeira das poderosas multinacionais ianques, com os seus efeitos devastadores.

Neste sentido, não se justifica o excessivo otimismo de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, para quem o país está preparado para enfrentar as conseqüências da recessão nos EUA. “O Brasil esta muito bem colocado hoje dentro do cenário mundial”. Esse otimismo exagerado inclusive não bate com as intuições do presidente Lula, que na última reunião do seu conselho político, confessou temer os efeitos da crise nos EUA. Bem melhor seria que os responsáveis pela política economia já se debruçassem sobre as medidas necessárias de defesa da economia nacional, como a adoção de mecanismos para o controle do fluxo de capitais.

É certo que o Brasil hoje está menos vulnerável aos humores externos. Até setores críticos da política macroeconômica do governo reconhecem este avanço. O economista Paulo Nogueira Batista Jr., por exemplo, não acredita que a retração nos EUA paralisará o crescimento brasileiro. “A recessão americana teria que ser muito forte para produzir esse efeito... A menos que se instaure um cenário externo caótico, a economia brasileira continuará crescendo. Mesmo que os EUA entrem em recessão”. De qualquer forma, é bom se prevenir!


Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi).




  Comentários (1)
 1 Recessão Ianque.
Escrito por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , em 29-01-2008 23:12
Se os EUA reverterem muito rapidamente este colapso,qual seria o seu mérito? Seria porque trata-se do país mais rico do mundo?Ou esta recessão agora nos EUA, que são AINDA a economia maior do globo,tornar-se-ia uma questão estratégica e pessoal do equipe BUSH,exatamente neste momento em que a grande maioria dos estadudinenses, repudiam todas as besteiras feitas pelo seu governo em nome da liberdade?

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