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No início de 2007, havia a
impressão de que a vitória de Lula e do PT seria assimilada pelo
conservadorismo. Apesar de haver ocorrido uma certa divisão interna em suas
fileiras, com a adesão de alguns à coalizão governamental, era evidente que a
maior parte demonstrava a disposição de realizar uma persistente operação de desgaste
contra o governo e o PT, além de tentar reviver as idéias e políticas
neoliberais.
Os neoliberais passaram a
aceitar o crescimento como palavra de ordem da agenda econômica, mas procuraram
pautar os rumos do governo e das forças sociais e políticas. Sem reconhecer que
suas políticas e reformas quase haviam quebrado o país, e o levado perto do
desastre, voltaram a defender que um crescimento sustentado só seria obtido com
a continuidade daquelas mesmas reformas.
Durante todo o ano de 2007,
concentraram suas críticas no tamanho do Estado, no aumento dos gastos públicos
e no peso da carga tributária. Sem as reformas que propunham, incluindo a
privatização das estatais restantes, o fim da educação pública, a
flexibilização trabalhista, a autonomia das agências reguladoras e a extinção
do "generoso" sistema previdenciário, consideravam que seria
impossível ao Estado estimular a poupança interna, atrair investimentos
externos, destravar o país e realizar o crescimento.
Desse modo, embora falando em
crescimento, pressionavam o governo Lula a seguir uma agenda que retomava a
desestruturação do país, iniciada por Collor e aprofundada por FHC. À medida,
porém, que o país passava a demonstrar que o crescimento poderia ocorrer,
independentemente das reformas neoliberais, a oposição conservadora passou a
encontrar crescente dificuldade para manter seus discursos e bandeiras. Novas
divisões internas a enfraqueceram. Mas, a maior parte não titubeou em continuar
fazendo tudo para impedir que o governo levasse avante o crescimento e a
redistribuição de renda.
Tendo em conta a correlação
desfavorável no Senado e pouco consistente na Câmara, e na ausência de um forte
movimento social, o governo Lula fez de tudo para que as forças econômicas e
políticas dominantes não desestabilizassem seus programas governamentais,
inclusive evitando prejudicar os interesses das corporações empresariais. Tal
política permitiu que o governo realizasse avanços consistentes em várias áreas
econômicas e sociais, mas não serviu para aplacar a aversão daquelas
corporações, e de seus representantes políticos, ao presidente de origem
operária e ao PT.
Nessas condições, na
perspectiva de novo rodízio de governo, em 2010, as forças conservadoras, na
oposição, ou mesmo aliadas ao governo, parecem dispostas a deixar de lado
qualquer veleidade de aparecerem como defensoras de interesses nacionais e
populares. Pretendem impedir, a qualquer custo, que os planos do governo sejam
executados. Sua meta consiste em demonstrar que o governo Lula e os governos do
PT são gerencialmente incompetentes. A vitória oposicionista na votação sobre a
CPMF foi apenas uma amostra dessa linha. Muito mais virá, em 2008.
Wladimir
Pomar é escritor e analista político.
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