Estando a cento e poucos quilômetros do seu inimigo jurado – a maior potência militar do planeta –, sofrendo há mais de quarenta anos um bloqueio econômico absolutamente cruel, e vendo, em Miami, um exército de cubanos exilados ensandecidos e permanentemente mobilizados para invadir o território do país, obviamente o regime cubano não pode se permitir o luxo de abrir o regime de uma vez. Se o fizer, provocará um verdadeiro banho de sangue.
A edição de 11 de março da Folha de S. Paulo é talvez o exemplo mais contundente de uma orquestração em absoluto e inequívoco uníssono em torno a um tema. Este tema é Cuba, o que não surpreende, já que a ilha é tradicionalmente tomada pelos grandes veículos de mídia como uma ditadura cruel, sem direito ao menor contraditório. E esse tema é agora coadjuvado pelo presidente Lula, com o pano de fundo do processo eleitoral de 2010, cuja estrela maior até o momento é o operário-presidente - para o infortúnio do diário tão nitidamente inclinado pelas opções políticas e econômicas dos tucanos.
A política externa brasileira – ancorada em uma diplomacia dita progressista – defende uma espécie de livre comércio, onde a atual divisão internacional de trabalho, de preferência dos países do norte, é reforçada. A idéia defendida por Lula (que nesse sentido repete FHC) é a de abertura dos mercados agrícolas dos países da Europa e dos Estados Unidos aos nossos produtos, em troca de uma maior tolerância brasileira para a abertura dos nossos mercados industrial, de serviços e de compras governamentais.
As ações afirmativas por si só não asseguram o fim da discriminação racial, mas são um elemento concreto de reconhecimento da responsabilidade do Estado pela realidade em que vivemos.
Que a crise sirva para abrir o olho do cidadão. Os serviços públicos essenciais não podem ser entregues à sanha do lucro privado. A prova está no colapso do sistema de transportes urbanos.
Para agravar ainda mais a lamentável situação vimos a frouxa postura das centrais sindicais e de Michel Temer, que se submeteram à chantagem patronal, jogando para 2013 o possível debate.
Federico Franco afirmou que o Paraguai "nunca vai cicatrizar a ferida da epopéia de 1865 a 1870 se o Brasil não devolver o arquivo militar que injustificadamente retém hoje, como também o canhão Cristão".
Como os críticos acham que a mobilização social também é um ato de vontade do presidente, a correlação de forças estaria subordinada à política de conciliação ou harmonização dos contrários.
Ao invés de destinarmos os R$ 8 bilhões previstos na lei orçamentária deste ano ao governo federal para os juros da dívida do estado, quase toda federalizada, poderíamos enviar 40% menos, alterando este dispositivo no orçamento.
Embora a distribuição de renda no Brasil continue escandalosamente desigual, constata-se que o brasileiro, como diria La Fontaine, começa a ser mais formiga que cigarra.
Como nada demoverá o governo de Teerã de continuar seu programa nuclear, seus adversários contam com as sanções para destruir a economia do país e criar condições para uma revolta popular.
Piñera dará subsídios? Construirá moradias? Reparará os pobres? Ajudará os pescadores, pequenos produtores, comerciantes? Isso não coincide com seus princípios.
Miguel Urbano Rodrigues conheceu Argel em 1953 quando era a capital de uma colônia mascarada de parcela da França. Neste artigo, após uma breve visita, escreve sobre a Argélia do início do século XXI.
A segunda lição é que a pior contribuição que podemos dar à causa democrática e socialista em nosso país e nos demais é continuar silenciando diante dos excessos.
Observa-se que, a despeito de o presente governo democrata situar-se longe de uma administração bem renovadora, o segmento reacionário insurge-se previamente, de modo que se bloqueie toda iniciativa de transformação.
Para a imprensa ocidental, Washington e a União Européia importa muito pouco sua morte, como pouco importam os mortos hondurenhos e colombianos cotidianos.
O quadro final é que o país se denuncia nas entrelinhas refém hecho y derecho de empresas privadas que, mesmo em estado de catástrofe, permanecem firmes com seus discursos marketeiros, sempre defendendo o valor da marca de sua empresa.
Continuarão a cumprir a função de apoiar um governo e correntes políticas que deram sobrevida ao modelo liberal-periférico, no momento em que ele agonizava?
Todas as versões que circulam nas mídias teimam em desconhecer o fato da estruturação dos direitos sociais nos sistemas previdenciários geridos pelo INSS.
A crise toma outro corpo. Antes era a quebra de fundos de investimentos, golpeando o mundo industrial. Agora começa sua fase estatal, com as abaladas finanças estatais do mundo capitalista.
Após a vergonhosa concessão de Licença Ambiental sob severas contra-indicações dos funcionários do IBAMA designados para estudar o projeto, a Usina de Belo Monte segue caminhando a passos largos para talvez se tornar a maior monstruosidade já erigida pelo capitalismo brasileiro.
Efeito positivo só para multinacionais da mineração, como a BHP Billiton, sediada em Londres e com operações aqui no Pará, e que necessitam de grande quantidade de energia para produzir alumínio.
Será uma indecência se a prefeitura da lei do PSIU, que fecha bares e outros locais sábado à noite em nome da ordem e do silêncio, bloquear projeto que visa terminar os jogos mais cedo, para simplesmente permitir o regresso ao doce lar do torcedor.
Nesse mundo de consumo irrefreável e esfacelamento das identidades pessoais, o progresso, no sentido moderno de aperfeiçoamento e melhoramento das coisas em nome do conforto social humano, perde todo sentido.
Fórum Democracia e Liberdade de Expressão exibe preocupação da mídia com avanços democráticos. Ataques a governos de centro-esquerda e aos movimentos sociais dão o tom.
Cuba, com todos os seus defeitos e lentidões para promover mudanças e evoluir o regime, oferece uma outra visão de mundo e sugere outra partilha de riquezas. É isso que causa ojeriza nas potências que afundaram Copenhagen, lideradas pelo seu mais inacessível interlocutor (EUA). Só assim para começar a compreender porque num mundo de 6 bilhões de habitantes e 4 bilhões de miseráveis as polêmicas e o cotidiano de apenas 13 milhões de pessoas centralizam tantas atenções e ‘indignações’.