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ISSN 1983-697X

Editorial

2009 trará saudades de 2008

Numa conjuntura de grande incerteza, alguns economistas afirmam cautelosamente que o impacto será moderado; outros, que será muito forte e criará dificuldades de grandes proporções para o crescimento econômico do país. Traduzindo: no primeiro cenário, teremos um aumento discreto do desemprego; no segundo, um aumento exponencial. O que parece certo é o aumento da violência, que recairá sobre a população das favelas, morros e periferias (pobre contra pobres), o que dará pretexto para o Estado criminalizar a pobreza ainda mais do que em 2008.

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Perspectiva2009
2009: crise do capitalismo generalizará e aprofundará a barbárie
Escrito por Valéria Nader   
2009 inicia-se sem o costumeiro frescor característico dos anos novos. A explosão da crise financeira mundial em setembro de 2008, ainda que não tenha sido uma surpresa para economistas e analistas que acompanhavam a realidade com seriedade, deixou a todos estupefatos com a velocidade pela qual se propagou do epicentro da crise nos EUA para outros países centrais e emergentes. Em nosso país, encerrou-se precocemente nesse setembro um ciclo de crescimento de 4 anos, aproveitando-se de uma conjuntura internacional muito favorável e após longo período de taxas medíocres de evolução de nossa economia.
É enorme a quantidade de interrogações a respeito do que reserva este momento para as populações de todo o planeta, que iniciam o ano sob a angústia da incerteza quanto à duração e profundidade da mais severa crise econômica desde os anos 30 do século passado. O Correio traz nesse começo de ano uma edição especial prospectiva, com análises de nossos colunistas e colaboradores nas áreas política, econômica, social, ambiental e cultural, tentando ‘desvendar’ um pouco dos misteriosos tempos que vêm por aí. Os vários textos poderão ser vistos logo abaixo, nas diversas seções. 050109_prospectiva2009.jpg
E nosso entrevistado especial nesse começo de ano é o historiador Mário Maestri, para quem o momento seria de retomar a consciência da classe trabalhadora no sentido de se recuperar a unidade perdida no passado, o que tanto a alienou. Clique aqui para ler a entrevista completa, concedida a Valéria Nader.
 
Política
Uma perspectiva desafiante
 
Wladimir Pomar

dolar_2009.jpgO problema da atual crise capitalista, para a esquerda, reside em que sua análise será indispensável para definir a estratégia e as táticas dos anos vindouros.

Perspectivas sombrias para os trabalhadores
 
Waldemar Rossi

xilocidaderostos.gifComo o movimento social está muito dividido, as chances de uma ampla mobilização popular a fim de exigir profundas mudanças na política econômica são remotas.

Três cenários para 2010
 
Luiz Antonio Magalhães

2009.jpgNada é pior para a oposição do que um "descolamento" do Brasil da crise internacional. Tal situação coroaria os oito anos de governo Lula, aos olhos do povão, como antítese da gestão tucano-pefelista, que sucumbiu em todas as crises internacionais que enfrentou.

Melhorar a Justiça, sobrevivência democrática
 
Dicionário da Cidadania
João Baptista Herkenhoff

estatua_justica.jpgMomentos de crise são grande oportunidade para avanços e superação. É assim que, neste momento de crise do Judiciário, proponho dez medidas para aprimorar a Justiça.

Feliz ano novo para o povo
 
Roberto Malvezzi

estourando_champanhe.jpgEstamos longe das mudanças que precisamos. Tantas vezes somos traídos, sangrados, capados e re-capados. Mas não há como desistir. Da luta do povo depende o futuro do povo.

Esquina da história
 
Léo Lince

esquina_wallstreet.jpgA turbulência chegou e, como a casta financeira está blindada pelo governo, se instalou direto na economia real. Com isso, 2008 se encerra na brutal reversão de expectativas.

Wall Street / 2008: um muro em ruínas
 
Fernando Silva

wall_street_bull.jpgEm que pese as dificuldades, especialmente no Brasil, devido a uma relação de forças ainda desfavorável, não devemos ser defensivos diante da crise do capital.

2008: Tudo que era sólido se desmanchou no ar
 
Valéria Nader

2008_retrospectiva.jpg Nosso entrevistado especial no final de 2008 foi o economista Nildo Ouriques, para quem, junto com a crise financeira internacional, também naufragou a ‘forma conciliatória’ de fazer política.

Internacional
Estados Unidos: perspectivas para o mandato de Obama
 
Virgílio Arraes

ft_barack_obama2.jpgAs indicações do primeiro escalão são sinais inquietantes de que a renovação ocorreria depois de longa transição, de modo que a linha de fé atual, à primeira vista, permanecerá.

Gaza: um povo em estado de coma
 
Luiz Eça

faixadegaza.jpgAs sanções de Israel constituem crime de guerra pela IV Convenção de Genebra. De pouco adianta. Nenhum governo do ocidente terá coragem de levar os culpados ao banco dos réus.

Crise de 2008 e urgências para 2009: o colapso da estratégia econômica extrativista
 
Eduardo Gudynas

amlatina_extrativismo.jpgA crise econômica representa também uma crise do modelo extrativista de desenvolvimento, mais profundo e de maiores implicações para a América Latina.

 
bandeiras.jpg
Economia
2009 não nos reservará boas notícias
 
Paulo Passarinho

2009_crise.jpgEstá claro que a conjuntura econômica mudou e 2009 não nos reservará boas notícias. Redução no nível da atividade econômica e desemprego em alta parecem ser inevitáveis.

As manchetes de 2009
 
Jurandyr O. Negrão

manchetes.jpgO governo brasileiro pode, e vai, remar contra a maré recessiva internacional. Mas, do jeito que a economia está organizada, o seu desempenho depende muito dessa maré – e o governo não pode fazer nada pra mudá-la.

Oportunidade para ajudar
 
Osiris Lopes Filho

brasil_crise.jpgCarga tributária é matéria da legislação que rege os tributos e sua redução pode ser realizada na lei de cada um. Que se aproveite a chance e se aperfeiçoe o imposto de renda.

Retrospectiva 2008 e sinais para 2009
 
Guilherme Costa Delgado

2008_2009.jpgSe prevalecer a repetição da convenção antiga, 2009 será péssimo; se aprendemos algumas lições, talvez seja oportunidade ímpar de repensar o desenvolvimento nacional.

Meio Ambiente
O meio ambiente em 2009: perspectiva
 
Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, Danilo Pretti Di Giorgi e Rodolfo Salm

floresta_amazonica2.jpgO dilema entre preservar o que resta e manter o nível de produção e, conseqüentemente, de emprego, fatores inevitavelmente sempre ligados, vai continuar a desafiar a humanidade.

 

070308_usina_ilha_solteira2.jpg

Cultura e Esporte
Paradoxo do signo
 
Cassiano Terra Rodrigues

camera16mm.jpgAntonioni foca bem: o recorte da câmera – do fotógrafo, do cineasta – revela ocultando; ao deixar muitas coisas de fora, revela outras – amplia a percepção, restringindo-a.

Oração Do Pai-nosso
 
Versão de Frei Betto

maos_em_oracao.jpgVenha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação.

2009: a esperança vencerá a crise?
 
Maria Clara Lucchetti Bingemer

maos_dadas.jpgMachado de Assis, grande escritor brasileiro, dizia que "Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito".

Esportes: mais um ano que passou, e que perdemos
 
Gabriel Brito

calendario.jpgA partir de 2003 o esporte ganhou ferramentas que poderiam impulsioná-lo. O saldo é que estamos basicamente no mesmo estágio em que nos encontrávamos antes de todo o processo.

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Desemprego de longa duração aumenta 37% em um ano nos EUA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Andrea   
15-Jul-2008

 

A desaceleração econômica nos EUA trouxe não apenas consistentes perdas de emprego, mas também uma brusca elevação na proporção dos desempregados por períodos prolongados. O número de pessoas sem trabalho por mais de seis meses disparou para 37% desde junho de 2007, segundo o Bureau do Labor Statistics.

 

No último mês, 1,5 milhão de pessoas estava sem emprego há meio ano ou mais. Muitos desses trabalhadores, sem salários ou seguro-saúde e tendo já esgotado o auxílio-desemprego, encontram-se frente a frente com ações de retomada de suas casas, despejos e ameaças de falência.

 

O número de desempregados de longa duração aumentou de 1,1 milhão desde junho de 2007. A duração média do desemprego subiu de 15,1 para 15,9 semanas em junho, na comparação com o mesmo período do ano passado. O aumento no número de desempregados de longa duração foi duas vezes maior que o aumento no número total de desempregados no mesmo período.

 

Estes dados são do mais recente relatório do Bureau of Labor Statistics, que mostrou que a economia norte-americana gerou 62.000 empregos em junho, após ter perdido 62.000 empregos em maio. A taxa de desemprego, que disparou em maio para o maior valor em 20 anos, permaneceu estável em 5,5%, comparada com 4,6% um ano atrás.

 

Junho marcou o sexto mês seguido de diminuição nas folhas de pagamento, com a economia dos EUA perdendo 438.000 empregos desde o início do ano. O número total de desempregados atingiu 8,5 milhões em maio e era de 7 milhões um ano atrás.

 

A taxa de desemprego para trabalhadores acima de 25 anos subiu de 4,1 para 4,3%. Este aumento foi compensado por um declínio no desemprego entre os jovens, deixando a taxa global de desemprego nominalmente inalterada.

Estes dados não consideram 1,6 milhão de pessoas que estão "ligadas marginalmente" à força de trabalho, aqueles que procuraram por trabalho nos últimos 12 meses, mas não no último mês. Este dado inclui aproximadamente 420.000 "trabalhadores desencorajados", que desistiram de procurar emprego porque pensam não haver disponível.

 

Os resultados se seguiram a anúncios de demissões da American Airlines, Goldman Sachs e Starbucks, que anunciou na última semana planos para fechar 600 lojas e demitir 12.000 trabalhadores.

 

Uma porção significativa da diminuição na folha de pagamento de junho foi atribuída ao setor de construção, onde o emprego diminuiu em 43.000. O setor perdeu cerca de 528.000 empregos desde o pico da bolha imobiliária em 2006.

A manufatura não vai muito melhor, com cerca de 33.000 empregos perdidos no último mês, tendo criado 353.000 empregos nos últimos doze meses.

 

Enquanto seis meses consecutivos de diminuição nas folhas de pagamento sempre significaram recessões nos últimos 50 anos, estimativas correntes indicam que a economia norte-americana conseguiu crescer no primeiro e segundo trimestres. "Nunca tivemos uma redução como esta em que perdemos empregos mês após mês, mas a economia de alguma forma continua a crescer," disse Nigel Gault, economista-chefe para assuntos internos do Global Insight, em entrevista ao New York Times.

O fato de que a economia tem continuado a crescer enquanto o desemprego disparou é uma indicação de que as condições econômicas ainda não foram plenamente sentidas no gasto dos consumidores. Isto é provavelmente efeito dos US$ 78 bilhões em devoluções de impostos feitos recentemente pelo governo, que podem ter impulsionado temporariamente o consumo. Uma vez que essas devoluções tenham sido gastas, no entanto, é provável que a economia comece a contrair-se e a atual hemorragia de empregos apenas acelere. De acordo com uma projeção recente, a confiança do consumidor afundou para seu nível mais baixo em 16 anos.

 

Ao mesmo tempo, os salários reais continuaram a afundar. Os salários médios aumentaram de 2,8% no ano passado; o Índice de Preços ao Consumidor aumentou de mais de 4% durante o mesmo período. Isto significa uma diminuição nos salários médios reais de mais de 1,2%, enquanto os trabalhadores perderam poder de barganha devido ao enfraquecimento do mercado de trabalho.

 

O Congresso respondeu a esses fatos na última semana aprovando uma lei para estender em todo o país a duração dos benefícios aos desempregados. A lei adiciona 13 semanas às 26 semanas de benefícios aos desempregados, já garantidas pelos governos estaduais. A extensão vai somente até março. Além disso, para poder participar da extensão, os trabalhadores devem ter estado empregados por 20 meses antes da demissão, uma medida que exclui 10% dos desempregados de longa duração.

 

A medida tem custo estimado de US$ 8 bilhões e foi incluída numa lei de financiamento das guerras no Iraque e no Afeganistão em 2009. Em comparação com a provisão orçamentária para a guerra, estimada em US$162 bilhões, a ajuda aos milhões de desempregados parece uma ninharia.

 
Dia de luto para as instituições democráticas brasileiras PDF Imprimir E-mail
Escrito por Andrea   
15-Jul-2008

 

Carta aberta à sociedade brasileira sobre a recente decisão do presidente do Superior Tribunal Federal.

 

1. Os Procuradores da República subscritos vêm manifestar seu pesar com a recente decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal no habeas corpus nº 95.009-4, em que são pacientes Daniel Valente Dantas e outros. As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no estado de São Paulo.


2. As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Definitivamente não há normalidade na flagrante supressão de instâncias do Judiciário brasileiro, sendo, nesse sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal.

 

3. Não se deve aceitar com normalidade o fato de que a possível participação em tentativa de suborno de autoridade policial não sirva de fundamento para o decreto de prisão provisória. Definitivamente não há normalidade na soltura, em tempo recorde, de investigado que pode ter atuado decisivamente para corromper e atrapalhar a legítima atuação de órgãos estatais.

 

4. O Regime Democrático foi frontalmente atingido pela decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, proferida em tempo recorde, desconstituindo as 175 (cento e setenta e cinco) páginas da decisão que decretou a prisão temporária de conhecidas pessoas da alta sociedade brasileira, sob o argumento da necessidade de proteção ao mais fraco. Definitivamente não há normalidade em se considerar grandes banqueiros investigados por servirem de mandantes para a corrupção de servidores públicos o lado mais fraco da sociedade.

 

5. As decisões judiciais, em um Estado Democrático de Direito, devem ser cumpridas, como o foi a malsinada decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Contudo, os Procuradores da República subscritos não podem permanecer silentes frente à descarada afronta às instituições democráticas brasileiras, sob pena de assim também contribuírem para a falsa aparência de normalidade que se pretende instaurar.

 

Brasil, 11 de julho de 2008.

 

Sérgio Luiz Pinel Dias - PRES
Paulo Guaresqui - PRES
Helder Magno da Silva - PRES
João Marques Brandão Neto - PRSC
Carlos Bruno Ferreira da Silva - PRRJ
Luiz Francisco Fernandes - PRR1
Janice Agostinho Barreto - PRR3
Luciana Sperb - PRM Guarulhos
Ramiro Rockembach da Silva Matos Teixeira de Almeida- PRBA
Ana Lúcia Amaral - PRR3
Luciana Loureiro - PRDF
Vitor Veggi - PRPB
Luiza Cristina Fonseca Frischeisen - PRR3
Elizeta Maria de Paiva Ramos - PRR1
Geraldo Assunção Tavares - PRCE
Rodrigo Santos - PRTO
Edmilson da Costa Barreiros Júnior - PRAM
Ana Letícia Absy - PRSP
Daniel de Resende Salgado - PRGO
Orlando Martello Junior - PRPR
Geraldo Fernando Magalhães - PRSP
Sérgio Gardenghi Suiama - PRSP
Adailton Ramos do Nascimento - PRMG
Adriana Scordamaglia - PRSP
Fernando Lacerda Dias - PRSP
Steven Shuniti Zwicker - PRM Guarulhos
Anderson Santos - PRBA
Edmar Machado - PRMG
Pablo Coutinho Barreto - PRPE
Maurício Ribeiro Manso - PRRJ
Julio de Castilhos - PRES
Águeda Aparecida Silva Souto - PRMG
Rodrigo Poerson - PRRJ
Carlos Vinicius Cabeleira - PRES
Marco Tulio Oliveira - PRGO
Andréia Bayão Pereira Freire - PRRJ
Fernanda Oliveira - PRM Ilhéus
Luiz Fernando Gaspar Costa - PRSP
Douglas Santos Araújo - PRAP
Paulo Roberto de Alencar Araripe Furtado - PRR1
Paulo Sérgio Duarte da Rocha Júnior - PRRN
Cristianna Dutra Brunelli Nácul - PRRS

 
Entidades se manifestam em favor dos indígenas de Raposa Serra do Sol PDF Imprimir E-mail
Escrito por Andrea   
15-Jul-2008

 

A terra Indígena Raposa Serra do Sol é habitat de 19.078 indígenas que vivem

 

conforme sua organização social, usos, costumes e tradições em 194 comunidades dos povos macuxi, tauperang, patamona, ingaricó e wapichana. Cumprindo o dever constitucional, a União iniciou o relatório de intensificação da terra em 1992. No entanto, as invasões se intensificaram com a chegada dos rizicultores que cercaram áreas imensas.

 

Em 15 de abril de 2005, através do decreto presidencial de homologação, a demarcação da terra indígena RSS, determinada pela Portaria 534 de 2005 do Ministério da Justiça, foi ratificada: os povos indígenas tiveram o reconhecimento formal de seus direitos originários e imprescritíveis à posse permanente e usufruto exclusivo sobre os recursos naturais ali existentes. Essa portaria ministerial instituiu o prazo de um ano para a saída total dos ocupantes não-índios da área. Passados três anos, eles continuam nela!

 

O não cumprimento do decreto de homologação é uma afronta ao Estado brasileiro, que durante três anos tentou um acordo para a solução do impasse. Desde 2001, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) vem realizando o levantamento das indenizações para os ocupantes não-índios. Diante de tal procedimento administrativo, a maioria deles desocupou a área. No entanto, seis invasores insistem em permanecer de maneira intransigente: comentem atos de violência contra indígenas, queimam casas e pontes, destroem escolas, fazem ameaças e provocam devastação ambiental.

 

No dia 26 de março de 2008, deu-se início à Operação Upatakon 3, organizada pelo governo federal, visando à retirada dos invasores, condição indispensável para a restauração da segurança e da paz na área. Porém, os atos de violência foram ironicamente usados como artifícios para surpreender a operação. Mais uma vez os povos indígenas ficaram a mercê da justiça. A violência e insegurança que se instauraram em Raposa Serra do Sol foram planejadas e incentivadas pelos próprios invasores, com o evidente intuito de suspender a ação do governo no cumprimento de seu mandato constitucional. 

 

Movimento 

 

A terra indígena Raposa Serra do Sol é um caso paradigmático no Brasil, em razão da histórica luta dos povos indígenas por seus direitos fundamentais, começando pelo direito à posse de terra. Neste momento, cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) exercer seu papel fundamental de garantidor da Carta Magna e confirmar os direitos constitucionais, reconhecidos na Constituição federal de 1988, pelas seguintes razões:

 

1. A Constituição garante os direitos originários e a imprescritibilidade às terras tradicionalmente ocupadas pelos índios;

 

2. As áreas ocupadas pelos rizicultores estão em terras tradicionalmente indígenas;

 

3. O procedimento demarcatório das terras indígenas RSS obedeceu a todos os parâmetros legais existentes;

 

4. Os títulos incidentes em terras indígenas são nulos e é impossível a retenção por benefícios em tais terras. 

 

Os direitos a posse de terra, integridade física e vida em RSS se vêem continuamente ameaçados. Além da violência, os índios são vítimas de ataques judiciais e políticos que levam a instabilidade dos seus direitos já estabelecidos ou em processo de consolidação.

As comunidades indígenas da RSS iniciaram o movimento na base denominado "Terra Livre: resistir até o último índio", em conjunto com a campanha "Anna Para Ana Yan" (‘Nossa Terra Mãe’, em língua Macuxi), com o objetivo de consolidar o decreto de

homologação, já assinado há mais de três anos pelo presidente da República.

 

Os povos indígenas demonstraram a vontade de trabalhar para contribuir com o crescimento socioeconômico do estado de Roraima e do Brasil e pedem a punição dos culpados pelas destruições das comunidades indígenas Jawari, Homologação, Brilho do Sol, Retiro Tai Tai (2004), do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (2005) e pelos crimes ocorridos na terra indígena: 10 índios baleados, pontes queimadas, lançamento de bombas caseiras etc. 

 

Dúvidas

 

1. Não existe muita terra para pouco índio!

 

A terra indígena Raposa Serra do Sol tem uma extensão de 1,7 milhões de hectares, que representa apenas 7,5% do território de Roraima. Somando outras 31 terras indígenas no estado de Roraima, obtêm-se os 46% de sua superfície reservada. Nos outros 54%, cabem Rio de Janeiro, Espírito Santo e Alagoas, onde vivem 22 milhões de pessoas. A população de Roraima não chega a 400 mil, segundo o IBGE. 

 

2. Raposa Serra do Sol não coloca em risco a soberania!

 

Conforme estabelece a Constituição Federal, às terras indígenas são patrimônio da União e destinam-se a posse permanente dos povos indígenas, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. A União tem plenos poderes sobre as terras demarcadas, inclusive na atuação das Forças Armadas. A área Yanomami, homologada em 1992, seis vezes maior que RSS, não tornou-se uma nação independente e nem vai tornar-se. Ao contrário, as terras indígenas dão mais segurança ao país, pois são duplamente protegidas, por serem propriedade da União e, quando em faixa de fronteira, terem proteção constitucional das Forças Armadas. 

 

3. As terras indígenas não inviabilizam o desenvolvimento de Roraima!

 

O desenvolvimento proposto comporta prejuízos ambientais, sociais e culturais. Os invasores são isentos do pagamento de impostos ao estado de Roraima até 2018. Não é verdade que as lavouras dos invasores geram muitos empregos, pois os trabalhos são mecanizados e a utilização de mão-de-obra é muito pequena. As terras indígenas são bens de propriedade da União, indispensáveis e inalienáveis, e hoje prestam relevantes serviços ambientais ao país, ao proteger as florestas. 

 

Exigências

 

As comunidades indígenas, amparadas pela Constituição Federal, Convenção 169 da OIT e Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, reivindicam:

 

1. Que o decreto presidencial seja mantido, a fim de garantir os direitos constitucionais e a vida cultural indígena e de suas lideranças;

 

2. Que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar as ações, respeite o que determina a Constituição Federal e não deixe dúvidas que a RSS é de uso exclusivo dos povos indígenas;

 

3. Que o poder econômico e político que tanto massacrou os povos indígenas não prevaleça;

 

4. Que os direitos dos povos indígenas sejam tratados com respeito e não como objeto de troca;

 

5. Que os invasores sejam considerados nocivos e perigosos à população indígena, uma vez que praticam atos terroristas dentro terra indígena.

 

NÃO ACEITAMOS A REDUÇÃO DA RAPOSA SERRA DO SOL.

 

 

Conselho Indígena de Roraima (CIR)

Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email site: www.cir.org.br

 
Medidas para o combate da inflação de alimentos são alienadas e mecanicistas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Guilherme Costa Delgado   
15-Jul-2008

numeros.jpgDuas medidas de política econômica recentes, adotadas com explícita referência à pressão dos preços dos alimentos, dão o tom e a dimensão da resposta oficial a um problema ainda mal explicado.

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Os ribeirinhos do Médio Xingu (1) PDF Imprimir E-mail
Escrito por Lisa Feder   
15-Jul-2008

rioxingu.jpgPrimeira parte de artigo especial sobre os ribeirinhos do Xingu, escrito pela antropóloga norte-americana. Lisa Feder.

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Atentado à democracia e improbidade administrativa PDF Imprimir E-mail
Escrito por Airton Florentino de Barros   
15-Jul-2008

dedo_apontando_alto.jpgNão há dúvida de que se deve assegurar aos senadores e deputados a liberdade de convicção, limitada, entretanto, ao incontestável dever de fidelidade para com o partido e o eleitor. Airton Florentino de Barros.

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