Estados Unidos e Brasil: superar as mágoas

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Na semana antecedente ao último turno da eleição presidencial mais atípica do presente ciclo democrático, a sociedade deve avaliar com vagar a atuação da trinca partidária dominante no período de 1985 a 2018: (P)MDB, PSDB e PT.

Há quatro anos apenas, avaliava-se o papel positivo de uma rede social em campanha política – Twitter – por causa do êxito nos Estados Unidos da candidatura de Barack Obama; nos dias atuais, analisa-se a ação negativa de outra, de acordo com matéria de periódico de abrangência nacional, em situação similar, porém realizada em solo pátrio.

Para o pleito presidencial de 2014 no Brasil, o temor era o possível impacto negativo das denúncias de espionagem de Washington com Brasília. O Planalto havia protestado debalde sobre o inapropriado comportamento da Casa Branca.

Com o propósito de impulsionar politicamente o esforço do Executivo, parte do Legislativo havia aprovado comissão parlamentar de inquérito (CPI) relativa à bisbilhotice externa em julho de 2013, com o início das atividades dois meses depois.

No entanto, os trabalhos, após sete meses, não iriam além do lugar comum, ou seja, o de recomendar medidas cibernéticas de proteção e o de prescrever alterações na legislação, sem apontar de fato os espiões.

A força tarefa nem sequer conversou com Edward Snowden, responsável por tornar pública a intromissão estadunidense. É possível que a recusa de asilo do Brasil a ele tenha contribuído para o desinteresse – segundo o relatório da CPI, p.12, três países se dispuseram a acolhê-lo a princípio: Venezuela, Bolívia e Nicarágua - https://www12.senado.leg.br/noticias/arquivos/2014/04/04/integra-do-relatorio-de-ferraco 

Graças aos efeitos das denúncias da espreita norte-americana, a presidente Dilma Rousseff assinou em abril de 2014 o marco civil da internet, com a presença até de Tim Berners-Lee, o formulador da rede mundial de computadores (www). A tramitação no Senado foi bastante rápida – poucas semanas - ao passo que na câmara, não – três anos - http://www.brasil.gov.br/governo/2014/04/dilma-enaltece-neutralidade-do-marco-civil.

O objetivo do Brasil era o de ampliar a participação dos demais governos na Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números (ICANN), desde sua fundação vinculada ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Como forma de aproximar de novo Washington e Brasília, o Planalto se valeu dos desdobramentos da diplomacia lúdica, executada durante o trabalhismo sob alto custo financeiro: O XV Jogos Pan-Americanos (2007), a Copa do Mundo (2014) e, por último, as Olimpíadas (2016).

Após a visita do titular da Secretaria do Tesouro, Jack Lew, em março, seria a ocasião do vice-presidente Joe Biden de viajar ao Brasil. Ao ter por justificativa o acompanhamento do primeiro jogo da seleção de seu país na competição futebolística, Biden a aproveitaria com o fito de dialogar com a presidente e recuperar o patamar das relações bilaterais. Em 2013, ele já havia estado aqui.

A ideia era superar o estremecimento, causador ao menos temporariamente de eventuais prejuízos a corporações dos Estados Unidos – basta lembrar a disputa da aquisição dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB).

A Suécia terminaria por superar os concorrentes. Com a promessa da presença do vice-presidente norte-americano no país, estimavam uns que seria demonstração de prestígio ao Brasil, fato importante para regularizar os laços diplomáticos.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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