Brasil-Estados Unidos: prestígio aparentemente em alta

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2017 completa-se com tom pessimista para a população, malgrado o governo do presidente Michel Miguel Temer, o mais impopular do ciclo democrático recente, não ter aprovado a severa reforma da Previdência até o momento – a proposta apena na prática o trabalhador e isenta o especulador, beneficiário de juros costumeiramente altos da dívida pública, a qual, em setembro último, se aproximou de quase três trilhões e meio de reais - http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-10/divida-publica-sobe-para-r-34-trilhoes-em-setembro-informa-tesouro.  

Todavia, a modificação da legislação do trabalho vigora desde novembro corrente; nada obstante decorra tempo mínimo de aplicação, a sociedade já afere suas consequências negativas: ampliação da precariedade geral do relacionamento entre patrão e empregado, em fase na qual cerca de treze milhões de brasileiros pelejam com dificuldade reconhecida com o propósito de empregarem-se de maneira oficial.

Segundo a administração pública federal, a alteração marcante das condições trabalhistas poderia estimular os investimentos, até os externos (IED). Em 2016, esta quantia teria sido em torno de 50 bilhões de dólares, ao passo que os Estados Unidos, o primeiro receptor, teriam abrigado a próxima de 400 bilhões de dólares.

Em 2011, o Brasil havia recebido o dobro daquilo – 101 bilhões de dólares - https://nacoesunidas.org/investimento-estrangeiro-direto-caiu-23-no-brasil-em-2016-estima-unctad/ e https://www.terra.com.br/economia/investimento-estrangeiro-no-brasil-em-2011-e-o-maior-desde-1947,2b380b89a3811410VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html.

Em 2012, portanto, Brasília gostaria de manter índice de atração similar; nesse sentido, Washington seria parceiro de escol no intento.

Entrementes, o objetivo imediato na relação bilateral não se conectava com economia, mas com política, ao se referir a dois países do Oriente Médio: Síria, em confronto civil, e Irã, com controvertido programa nuclear em desenvolvimento. Estes itens comporiam a pauta principal de Hillary Clinton à frente do Departamento de Estado ao deslocar-se à capital brasileira por um par de dias.

A chancelaria local concernente ao primeiro ponto receava que nova intervenção internacional, mesmo rubricada pela Organização das Nações Unidas, poderia ampliar os efeitos deletérios daquela confrontação – como comparação direta, a questão líbia vinha à tona. Opção à mesa seria o estabelecimento de sanções, porém, de pouco resultado em termos práticos.

Respeitante ao segundo, o Itamarati era bastante cauteloso também, uma vez que a intermediação pátria, ao lado da diplomacia turca em 2010, havia sido mal acolhida pela Casa Branca; logo, seria posta de lado sem muita mesura.   

Sobraria outrossim tempo para tratar de assuntos econômicos com atores locais importantes: a Câmara de Comércio Americano e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Tópico de abordagem merecida seria o turismo – os Estados Unidos inaugurariam dois consulados: um em Porto Alegre (RS) e outro em Belo Horizonte (MG). A expectativa era a de emissão de vistos, em especial para o empresariado pátrio, com mais agilidade, devido à quantidade crescente do fluxo de brasileiros para o território norte-americano.

De toda sorte, seria período de euforia, mesmo efêmero e por que não quimérico, para o Planalto quanto à projeção internacional da estendida gestão trabalhista: o semanário Time havia indicado três brasileiros entre a centena de personalidades de maior influência no planeta.

Integravam a lista a própria dirigente Dilma Rousseff; no caso, pela segunda vez consecutiva; Eike Batista, reconhecido em sua pequena hagiografia pelo prefeito do Rio de Janeiro como um dos dez milionários globais e um dos responsáveis pelo ‘renascimento’ da cidade, e Graça Foster, presidente da Petrobras - http://content.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,2111975_2111976_2112102,00.html 

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Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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