Brasil-Estados Unidos: diálogo sem avanço promissor

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Na presente semana, o governo Temer, sobrevivo de dois pedidos de investigação ao longo do ano junto ao desgastado parlamento, insiste em levar à votação draconiana Reforma da Previdência, incompleta por não cingir o conjunto dos servidores federais.

Ademais, o tema, por ser elemento central da cidadania, deveria ser levado ao debate dos futuros candidatos à presidência da República, não encaminhado de modo severo por dirigente sob baixíssima popularidade, vez que o alto desemprego persiste, a violência urbana grassa e a dívida pública se amplia.

Portanto, seria questão da responsabilidade do próximo mandatário a proposição de modificação do sistema previdenciário, após submetê-la à apreciação do eleitorado em outubro de 2018 e de forma posterior encaminhá-la para o debate com o Congresso.

Em outro segmento governamental menos assistido, o da política exterior, ocorreu oportunidade ao Planalto de manifestar-se de maneira contrária à Casa Branca no tocante à polêmica posição de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital israelense, decisão criticada globo afora - http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/notas-a-imprensa/18006-nota-a-imprensa-palestina  

Em 2012, quando do encontro da presidente Dilma Rousseff com Barack Obama em território estadunidense o Irã era o ponto de inquietação central no Oriente Médio – a Síria viria logo a seguir, por causa da guerra civil.

Entrementes, ambos os casos seriam tratados de forma lateral, sem o aprofundamento merecido bem como a pretendida alteração do número de componentes permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CS/ONU), a fim de beneficiar o Brasil.

Em havendo a manutenção duradoura de medidas de rejeição a Teerã por Washington e por Bruxelas (União Europeia), Brasília temia como contrapartida o aumento do petróleo – naquele ano, o preço médio do produto no país situou-se pouco acima de dois reais e setenta centavos - http://www.anp.gov.br/wwwanp/precos-e-defesa/234-precos/levantamento-de-precos/868-serie-historica-do-levantamento-de-precos-e-de-margens-de-comercializacao-de-combustiveis

Dada a importância do volume exportado pelo regime persa em 2011, momento da punição pelo grupo norte-atlântico, a apreensão justificava-se. Até então, o Irã exportava mais de dois milhões e meio de barris diários. Com a sanção, haveria redução acima de um milhão - https://www.eia.gov/todayinenergy/detail.php?id=21792.

A economia global ainda oscilava concernente à recuperação, a despeito do pico de 2010, 2012 teria crescimento médio menor que 2011, segundo o Banco Mundial. Até hoje, o índice não ultrapassou 3%.

Naquela fase, o desejo de incrementar o comércio bilateral era forte – o Brasil poderia atrair investimentos dos Estados Unidos, via equipamentos, para a área do pré-sal, cuja extração situava-se na faixa de duzentos mil barris por dia, correspondentes a cerca de 1/10 da produção nacional total.  

Outrossim, poderia haver concentração para consumo maior de biocombustível pelos norte-americanos e por que não para a fabricação conjunta – a eficiência pátria com o de cana de açúcar era superior ao de milho. Na prática, isso não prosperou.

Ao cabo da viagem da mandatária brasileira a Washington - visita sem o status da de Estado – existiu pouco a celebrar. No entanto, as tratativas teriam continuidade em Brasília, local onde seria recepcionada a titular da chancelaria estadunidense, Hillary Clinton, aguardada como possível candidata democrata à Casa Branca em 2016.

Leia mais artigos do autor sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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