Brasil-Estados Unidos: estreitar relações comerciais

0
0
0
s2sdefault

Resultado de imagem para dilma eua cachaça
Em mais uma semana de efeméride da proclamação oficial da República, a sociedade brasileira assiste ao comportamento cotidiano da elite partidária de maneira bestificada, em alusão à memorável frase do jornalista paraibano Aristides Lobo.

A cada dia, vem a lume uma ação governamental negativa ao povo, de modo que a constância disso faz com que a apatia substitua a surpresa, motriz da reação da indignação a medidas contrárias à vontade dos eleitores.  

Ao primeiro olhar, a impopularidade do presidente Michel Miguel Temer, bastante superior à de sua predecessora, Dilma Rousseff, em pouco tempo, simboliza a indiferença do ponto de vista político ao necessário significado da democracia.
O distanciamento entre as reais aspirações populares e as presidenciais do momento reflete o enorme hiato entre o necessitado e adequado e o negado e impróprio.

Lamenta-se não se vislumbrar no horizonte alternativa apropriada aos desejos nacionais, de sorte que a agonia incorpora-se ao dia a dia do eleitorado.

Durante sua primeira gestão, a dirigente trabalhista - neófita na área diplomática - visitou os Estados Unidos em abril de 2012 com a intenção de alargar a parceria comercial – entre os itens, registrava-se o êxito no reconhecimento da singularidade da bebida pátria, a cachaça. Não seria mais ela equiparada ao rum, de extração caribenha. Como contrapartida, haveria a aceitação do Bourbon, destilado originado do milho, produzido de maneira maciça no sul. No entanto, as restrições às exportações ao suco de laranja mantinham-se.

Existia também a vontade de que o Brasil fosse incorporado ao Programa de Isenção de Vistos, por meio do qual poderiam seus cidadãos deslocar-se a território americano por até noventa dias por turismo ou por negócios.

Com a Copa do Mundo à vista, o Planalto poderia reciprocar a medida e, nesse sentido, isto poderia estimular o aumento do fluxo de visitantes durante a realização do evento. Até hoje, o país não desfruta de tal condição, ofertada a quase quarenta governos - https://travel.state.gov/content/visas/en/visit/visa-waiver-program.html#reference .

Sem muita graça, a viagem serviria à mandatária para impulsionar seu prestígio interno, ao encontrar-se com o carismático Barack Obama, bem cioso da necessidade de retribuir a acolhida, ainda mais em período de reeleição.

A despeito de o país pertencer aos emergentes BRICs, os meios de comunicação estadunidenses mantiveram-se discretos, ao dissertar sobre a presença da comitiva brasileira lá. Nem sequer a balança comercial favorável à Casa Branca entusiasmou a cobertura sobre a representante do Planalto – acima de 8 bilhões de dólares.

Talvez a mudez derivasse da hipótese de que em estando Brasília enfileirada ao lado de Moscou e de Pequim no acrônimo acima mencionado o Planalto subscrevesse o apoio, mesmo tácito, à ditadura de Damasco, regime rejeitado por Washington.  

Ponto de fragilidade do governo era a questão ambiental, tanto pelos inexoráveis desmatamentos bem como pela tradicional concentração fundiária. Outrossim, havia questionamentos sobre a forma de edificação da usina de Belo Monte, haja vista o impacto na região amazônica. Em poucas semanas, o Brasil sediaria a Rio+20, cimeira da Organização das Nações Unidas.

Em face da importância desse encontro, manifestantes protestariam na capital norte-americana, ao lembrar os diversos assassínios ocorridos na região norte nos últimos anos como o da missionária Dorothy Stang, estadunidense de nascimento. Meia década depois, o meio ambiente continua tema secundário entre as preocupações da elite nacional.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados