Brasil-Estados Unidos: apesar da parceria comercial, frustração interna

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Ao cabo de 2011, a preocupação das principais potências industriais residia na necessidade de recuperação econômica. Nesse sentido, cada uma delas buscava o melhor modo de atrair investimentos cujos efeitos sentir-se-iam no cotidiano apenas no longo prazo ou de pessoas cujo impacto poderia ocorrer já de imediato.

Em decorrência deste ponto, o governo norte-americano desejava impulsionar a concessão de vistos de turismo para brasileiros, considerados ávidos consumidores se comparados aos europeus. A uns, a medida por si seria insuficiente, dado que o volume de compras desses cidadãos justificaria decisão mais benéfica, ou seja, a de eliminação do documento de entrada caso a estada fosse a de algumas semanas.

Estima-se a emissão em torno de 65 mil vistos por mês ao longo de 2011, quase 50%a mais no tocante ao ano anterior. Entusiasmo similar somente com os compradores chineses, observados como tão afoitos quanto os brasileiros em consumo externo - https://travel.state.gov/content/dam/visas/Statistics/AnnualReports/FY2016AnnualReport/FY16AnnualReport-TableXIX.pdf.  

Indo além, a tradição diplomática do Brasil indica ser o governo cauteloso quanto ao estabelecimento de iniciativas bilaterais. Por outro lado, o Planalto costuma reciprocar com outro sem demora excessiva as eventuais diligências do parceiro político ou econômico. Menos burocracia a começar do gigante do norte indicaria sem dúvida tratamento semelhante cá. Em 2017, as regras alteraram-se, mas de modo negativo.

De lá, a forma de premiar naturais de parte dos membros dos BRICS – como Brasil, Índia e China - seria a de fornecer-lhes visto automático de residência caso houvesse aquisições imobiliárias a partir de meio milhão de dólares. Além disso, eles teriam preferência na emissão da documentação, em vista do patamar de investimentos em solo estadunidense.   

A despeito dos possíveis avanços, novas prerrogativas poderiam ser destinadas a brasileiros, de acordo com o senador Richard Lugar, da Comissão de Relações Exteriores. Segundo o parlamentar, Brasília ao não ter tratado tributário com Washington permanecia em base secundária, uma vez que Pequim e Nova Déli já o haviam feito. México e Ottawa também haviam assinado até pela composição do NAFTA.  

Se fosse estabelecido, o processo de tributação entre ambos simplificaria a rotina para cidadãos e empresas. Em visita ao país, o representante republicano afirmou ter sido a proposta feita ao presidente Barack Obama antes de sua viagem à América do Sul naquele mesmo ano. Esperava o senador que ao retribuir o Planalto a visita à Casa Branca em 2012 a questão fosse abordada e acordada de maneira definitiva.

Diante da expectativa positiva de ampliação das atividades comerciais, outros aspectos da política externa nacional chamariam menor atenção: um deles seria a de direitos humanos. Aguardava-se postura distinta da do predecessor, ou seja, a de maior severidade.

Isto aconteceu quando o Brasil se posicionou a favor da investigação em março de 2011 da situação da questão no Irã, através da Organização das Nações Unidas. Contudo, no final do mesmo ano, ele não votaria na assembléia geral da instituição ponto conectado com o mesmo tema e país. A despeito disso, Brasília costuma ser cautelosa em manifestações internacionais quanto ao tópico em face do seu histórico interno lamentável.

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Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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