Estados Unidos e Brasil: o simbolismo da visita do presidente Barack Obama

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Durante o primeiro governo de Dilma Rousseff, o país manteve a esperança de que a produção de biocombustível extraído da cana de açúcar local pudesse ser impulsionada pelo consumo dos Estados Unidos, malgrado as restritivas objeções tarifárias adotadas pela Casa Branca.

Em decorrência do voto distrital e do tempo de mandato, dois anos apenas, os parlamentares norte-americanos costumam defender o interesse agroindustrial – e às vezes o emprego de determinado círculo de eleitores – de suas circunscrições com constante arrebatamento.

No caso do etanol, a opção estadunidense era pelo de derivado internamente do milho, adornado por Washington com a proteção na época de mais de quinze centavos de dólar por litro para os similares importados.  

Apesar do intermitente discurso de abertura comercial ao restante do planeta, os congressistas de lá não se sentiram animados a conceder tal deferência ao Planalto, a despeito dos bons laços políticos entre trabalhistas pátrios e democratas e, em especial, dos econômicos, haja vista o déficit comercial em torno de 7,5 bilhões de dólares de Brasília com Washington em 2010.    

Se no álcool a parceria permaneceria estremecida, no petróleo ela poderia ser diferente. De modo correto, a Casa Branca procura diversificar os fornecedores energéticos, com o propósito de diminuir sua vulnerabilidade em função de eventuais atritos políticos bilaterais ou de dificuldades econômicas dos produtores. Na Guerra Fria, pode-se citar o Irã como referência; na nova ordem global, o Iraque.

Assim, os principais provedores costumavam ser Canadá, Arábia Saudita, Venezuela, México, Colômbia, Coveite, Equador, Angola, Rússia, Nigéria e até Brasil. Os norte-americanos observavam as prospecções do pré-sal com muito entusiasmo, visto que poderia ser-lhe alternativa viável no curto prazo, dada a relação amistosa.

Além disso, a capacidade do crescimento do país como entregador poderia contribuir para impedir a ampliação abrupta de preços como na fase posterior da Segunda Guerra do Golfo, por exemplo, ou como naquele mesmo ano, com cotações mais altas do que as do anterior, apesar das variações.  

De toda sorte, os Estados Unidos não eram os primeiros interessados no petróleo nacional, vez que a ascendente China havia firmado acordo com a Petrobras em 2008 através de vultoso empréstimo em troca do acesso por uma década de duzentos mil barris diários a datar do ano anterior - http://br.china-embassy.org/por/szxw/t563844.htm.

Posta a economia de lado, no rápido deslocamento ao Brasil, a despeito da expectativa da administração trabalhista, o presidente Barack Obama não pretendia aludir à possível modificação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CS/ONU), ou seja, a sua aguardada ampliação.

Embora tivesse feito menção a isso ao visitar a Índia meses antes, o Departamento de Estado não a estenderia à América do Sul. Acamaradado com Brasília, Washington prescindia de ser gentil econômica – como citado acima – e politicamente.

Leia também:

Estados Unidos e Brasil – o interesse do governo Obama no país
Estados Unidos e Brasil – parceria ansiada, mas sem desenlace

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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