“As eleições são farsa e a Venezuela não tem saída sob o neototalitarismo de Maduro”

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A crise venezuelana, ainda que sem os mesmos protestos massivos de meses atrás, continua a intrigar o mundo e, após Nicolas Maduro antecipar as eleições de 2019 para abril deste ano, o Conselho Nacional Eleitoral acaba de alterá-las para 20 de maio. Em meio a isso, uma crise humanitária que faz milhares de cidadãos emigrarem. Sobre esse quadro dramático, entrevistamos o professor e educador venezuelano Javier Antonio Vivas Santana, ex-colaborador da Misión Sucre, programa educacional criado por Hugo Chávez para conduzir parcelas da população ao ensino superior.
 
“A ‘constituinte’ foi ilegítima e ilegal, porque foi convocada por Maduro em 2017 sem referendo prévio para consultar os venezuelanos, se de fato eles apoiavam, e também impôs um sistema de votação fraudulento de segundo e terceiro graus, com o endosso da CNE e o quadro pseudojurídico do Supremo, ambas ‘instituições’ controladas pelo madurismo”, contextualizou, ao recordar da suspensão dos trabalhos da Assembleia Nacional pela Suprema Corte, exatamente quando o governo perdia a maioria.

Desse modo, Javier Santana defende de forma contundente que todo o processo político posterior a este fato carece de legalidade e conforma aquilo que classifica como neototalitarismo. Ademais, fornece diversas informações do descalabro social de um país onde só 30% da população se alimenta adequadamente e faltam insumos para tudo, inclusive transporte, ainda que o país tenha portentosas reservas petrolíferas. Tudo isso sem ignorar o caráter virulento da oposição dominante.

“Um fracasso da oposição é que eles não falam sobre um projeto de país. Eles nunca dizem o que fariam com a PDVSA, as empresas de serviço público ou com as condições econômicas e sociais em cena. Penso que, no final, causam imenso prejuízo enquanto estrutura política e como uma possível alternativa para governar a Venezuela. Enfim, é um setor que não tem credibilidade para liderar. Diante do fato de termos um governo neototalitário e que mergulhou os venezuelanos na fome e na pobreza, é óbvio que os imensos erros de sua contraparte são o que ainda mantêm Maduro no poder”, explicou.

De todo modo, Javier, que acaba de lançar o livro “La regeneración del pensar y las texturas del pensamiento generadas por la epistemología de la trans-onto-complejidad”, relacionado a sua área de trabalho, é implacável com o sucessor de Hugo Chávez. Faz questão de diferenciá-lo do falecido antecessor e faz uma ressalva positiva aos governos ditos progressistas no continente. De todo modo, garante que o país não tem saída enquanto seu grupo, e ele nomeia seus principais líderes, não deixar o poder.

“Para sair da crise, uma vez que Maduro abandone o poder, é necessário construir um governo de unidade. Temos uma excelente Constituição e um quadro legal que deve ser reformado. Um plano econômico sério e credível deve ser aplicado, por exemplo, semelhante ao Plano Real que Cardoso aplicou durante sua presidência, quando os resultados neste caso foram, independentemente das críticas, positivos para a população”, resumiu.

A entrevista completa com Javier Antonio Vivas Santana pode ser lida a seguir.


Correio da Cidadania: Como você analisa a antecipação em um ano das eleições presidenciais, convocadas pelo atual presidente Nicolás Maduro e previstas para o próximo mês de abril?

Javier Antonio Vivas Santana: A situação de avanço das eleições é nula porque foi convocada pela Assembleia Constituinte ilegítima e ilegal. Dado este panorama, e em virtude do fracasso do diálogo entre parte da oposição integrada pela quase extinta Mesa de Unidade Democrática (MUD) e a cúpula madurista na República Dominicana, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou a data de 22 de abril para a eleição, não só avançando pelo menos seis meses o processo eleitoral como violando a lei que regula nossas campanhas.

Curiosamente, a lei a que me refiro foi assinada por Diosdado Cabello em 2009, quando era presidente da Assembleia Nacional, ou seja, o mesmo porta-voz que nesta "Constituinte" disse que as eleições presidenciais devem ser realizadas no primeiro trimestre de 2018. Mas essa decisão gera um mar de contradições no governo, porque devemos lembrar de uma das desculpas que o CNE teve em 2016 para evitar um referendo de revogação de mandato contra Maduro, bem como das eleições dos governadores, que tiveram de ser realizadas no mesmo ano: não teria havido tempo suficiente para organizar simultaneamente a petição da oposição e um processo de eleição regional.

Neste contexto, é claro que estas eleições não terão qualquer tipo de legitimidade externa e serão rejeitadas pela maioria de eleitores que até agora promete não votar. Há uma grande desconfiança do CNE, cujo conselho de administração é composto por cinco membros, sendo quatro mulheres ligadas ao madurismo, mesmo que algumas tenham "renunciado" à militância no partido do governo quando nomeadas para este poder eleitoral.

Esta eleição, Maduro poderia admitir, será vencida por WO, especialmente se levarmos em conta que vários candidatos aspirantes foram inabilitados, como é o caso de Henrique Capriles Radonski, que enfrentou Chávez em 2012 e perdeu em 2013 por 1,5% dos votos contra Maduro. Também é o caso de Leopoldo López, privado de liberdade, assim como seus partidos - Primero Justicia (PJ) e Voluntad Popular (VP) -, arbitrariamente eliminados pelo CNE, sob alegação de que tais organizações não participaram das eleições municipais de 2017.

Além disso, o ex-ministro do Interior e da Justiça de Maduro, o general Rodríguez Torres, e que também estava muito perto de Chávez, mas hoje é crítico do governo, acabou de ser "inabilitado" por 12 meses pela Controladoria, alegando irregularidades na declaração de patrimônio feita sob juramento. Ou seja, o madurismo evita que um candidato que possa dividi-los surja de dentro do próprio chavismo.

Diante disso, esta eleição, e a insistência do madurismo em realizá-la sob as condições de ampla vantagem eleitoral, acabará por agravar a crise política, econômica e social da Venezuela. O remédio será pior do que a doença e um exemplo disto já estamos vendo, com o crescente número de venezuelanos que migram diariamente para o Brasil através de Boa Vista, ou para a Colômbia, através de Cúcuta.

Correio da Cidadania: Por que a presidência de Nicolas Maduro é tão mal sucedida? O que se fez de mais equivocado nos últimos anos?

Javier Antonio Vivas Santana: O governo madurista tem sido um tipo de cenáculo onde a estrutura do chamado "grupo dos sete" consiste em: Nicolás Maduro, Diosdado Cabello, Tareck El Aissami (vice-presidente), Vladimir Padrino (ministro da Defesa), Jorge Rodríguez (ministro da comunicação), Delcy Rodríguez (irmã do ex-presidente e presidente da "constituinte" fraudulenta) e, claro, Cilia Flores, esposa do atual presidente da República. Estes governam o país de forma rigorosa e neototalitária.

Hoje, a Venezuela, devido à arrogância, à soberba e até à maneira vingativa de governar de tal grupo acabou até destruindo a indústria do petróleo, que de 3,5 milhões de barris por dia que exportava em 1998, com 23 milhões de habitantes na época, agora, de acordo com os números indicados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), produz 1,6 milhão de barris por dia, com uma população que ultrapassa 31 milhões – mesmo subtraindo cerca de 4 milhões de venezuelanos que emigraram nos últimos cinco anos. Tal situação demonstra a magnitude da crise econômica e social que os venezuelanos experimentam.

O próprio Maduro afirmou que, durante seu governo, ele pagou mais de 70 bilhões de dólares em dívida externa. E perguntamos: às custas do quê? Bem, suprimindo as importações de alimentos e medicamentos exigidos pelo país, numa economia que exige mais de 70% de compras do exterior para manter em condições normais a demanda doméstica. Essa política de preferência pelo pagamento da dívida externa gerou um enorme déficit fiscal, inclusive na Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) e na necessidade de se pagar uma lista exacerbada de funcionários públicos, que excede 3 milhões de pessoas.

Imagine, o madurismo, ao não ter recursos para pagar esses salários, recorreu à impressão inorgânica de bolívares que nos levou à hiperinflação, razão pela qual, agora, cerca de 4 milhões de venezuelanos também são subsidiados com "bônus", que o governo concede e, no melhor dos casos, equivalem a cerca de 700 mil bolívares por mês. Isso, no atual mercado de câmbio paralelo que governa a economia, equivale a cerca de três dólares por mês (na Venezuela, existem controles cambiais desde 2003).

Mas o mais aberrante desta situação é que o governo criou os chamados "Carnês da Pátria", uma espécie de afiliação forçada ao governo para ter acesso a tais "vínculos", o que criou uma espécie de cidadãos de primeira classe e outros de segunda. Quem não possui o cartão não recebe a suposta ajuda. Em qualquer caso, o madurismo usa esse cartão para forçar as pessoas a votarem neles, o que, além de coagi-las social e eleitoralmente, deixa claro que o governo Maduro há muito tempo destruiu a democracia na Venezuela.

Correio da Cidadania: Como essa situação poderia ser evitada?

Javier Antonio Vivas Santana: É difícil falar sobre o passado nestes termos, mas muitos de nós advertiram Maduro desde o início de seu mandato sobre as políticas econômicas e sociais errôneas que ele estava conduzindo. Neste momento, 2013, o governo pensava que o valor dos preços do petróleo faria o barril novamente atingir três dígitos. Isso não aconteceu e as medidas de correção de rumos nunca foram tomadas.

A economia está tão distorcida que, enquanto um cartela de ovos tem um valor de dois salários mínimos mensais, atualmente estabelecido em 248.150 bolívares (a maioria dos trabalhadores ganha algo como um dólar por mês), um tanque de gasolina de 91 octanos, com uma carga de 36 mil litros, sai um bolívar por litro. Ou seja, todo esse tanque de combustível tem um valor, em taxa paralela, de aproximadamente US$ 0,15 dólares. Essa é a destruição econômica! Tal magnitude dos desequilíbrios nos preços e na economia pode dar uma ideia de como a Venezuela está sendo governada.

Diante da realidade, com Nicolas Maduro nunca será possível reverter a situação atual do caos na Venezuela.

Correio da Cidadania: O que você acha da defesa de setores alinhados ao chavismo, mesmo em relação a questões de políticas sociais e econômicas, como podemos ver neste artigo por Ignacio Ramonet?

Javier Antonio Vivas Santana: Lemos com espanto o artigo de Ignacio Ramonet, a indicar "as doze vitórias" de Maduro em 2017. Por isso lamentamos o nível de ignomínia em que caiu esse "intelectual", que, apesar de ser o autor do livro A tirania da comunicação, aparentemente esqueceu suas próprias abordagens na luta contra o "pensamento único" em cada uma de suas construções teóricas.

Aqui, teríamos de perguntar a Ramonet: o que você acha quando esse "pensamento" é único para manter o poder na Venezuela, destruindo sua economia e empobrecendo a maioria da população nos mais profundos níveis de miséria? Seria outra "vitória" para Maduro?

Honestamente, tais setores estão alinhados a interesses pessoais e mafiosos, mas nunca ao bem estar dos povos, menos ainda da Venezuela. Sinto muito por Ramonet. Ele perdeu todo nosso respeito.

Correio da Cidadania: O que você pode contar sobre a atualidade social no país, nas ruas e bairros que seus olhos alcançam?

Javier Antonio Vivas Santana: É dramática. Existem cifras de diferentes organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos que nos falam sobre a existência de pelo menos 2 milhões de venezuelanos, incluindo crianças e idosos, que reviram lixo para achar um resto qualquer que possa aliviar a fome. Ou, se não se expõem a essa condição humilhante, comem no máximo uma vez por dia. Embora cerca de 6 milhões de pessoas comam duas vezes ao dia, e algumas três vezes, apenas 30% da população atinge os requisitos mínimos de calorias.

Diante da crise social, o madurismo concebeu a entrega de algumas caixas de comida conhecidas como CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção) e que chegam à população, em média, a cada 45 e 60 dias, na melhor das hipóteses. Poderíamos defini-las como o cartão de ração alimentar do século 21. Naqueles caixas ou sacos de comida fornecem-se às famílias um quilo de farinha, arroz, feijão ou macarrão, óleo, açúcar e, com sorte, alguns enlatados, que só podem aliviar a fome por alguns dias nos grupos sociais beneficiados. A verdade é que o nosso país tem uma população desnutrida em todas as suas faixas de idade e sexo. Até a Unicef acabou de se referir à questão da desnutrição infantil na Venezuela.

A crise hospitalar é terrível. Nos centros de saúde não há termômetros, oxigênio ou materiais médico-cirúrgicos. Também não há antibióticos, nem antialérgicos ou antifúngicos. Não há medicamentos para pressão arterial, diabetes ou epilepsia. Neste último caso, é um problema que sofro na minha própria carne. As pílulas anticoncepcionais desapareceram do mercado. Nos últimos três meses, apenas nos estados andinos de Táchira e Mérida, as faculdades de medicina mostram que houve uma emigração de mais de 1.000 médicos, especialmente para destinos como a Europa, os Estados Unidos, o Chile, o Uruguai, a Argentina e também Brasil.

Em relação à falência da indústria do petróleo, a crise devido à escassez de combustíveis em todo o país é constante. Mais de 80% dos transportes públicos estão paralisados porque não há lubrificantes, borrachas ou baterias. Mesmo o metrô de Caracas, que era uma referência internacional no transporte moderno e subterrâneo, tornou-se ocioso e também foi ocupado pelo crime, que invade todos os campos da sociedade. Há constantes protestos sobre o terrível serviço de água, eletricidade e gás em qualquer cidade ou área rural, sem menosprezar o dado de que até este momento de 2018 registram-se quase 1000 saques contra centros de distribuição de alimentos e pontos de venda públicos ou privados, e também contra caminhões carregados de comida.

A educação em seus níveis de bacharelado e universitário é um caos, e isso eu digo com minha própria pesquisa como professor. Temos uma taxa de abandono que em alguns estados do país se aproxima de 60% da população estudantil e 30% dos professores. O programa de alimentação escolar praticamente desapareceu dos institutos educacionais públicos. E se falamos de política pública "educacional" chegamos a um extremo de que o madurismo concede um bônus mensal de 700 mil bolívares para alunas com problemas de comportamento, mas que engravidaram de algum malandro de bairro ou um criminoso, enquanto uma jovem que se destaca em seus estudos nem sequer tem uma bolsa de estudos ou subsídio para comprar um lápis ou caderno. A Venezuela vive uma tragédia em todos os aspectos do espaço social.

Correio da Cidadania: Como você pode resumir para o leitor brasileiro a evolução da crise institucional, exacerbada a partir do momento em que a Suprema Corte de Justiça declarou inválidos os trabalhos da Assembleia Nacional?

Javier Antonio Vivas Santana: Esse foi a primeira punhalada que o madurismo deu não só na Assembleia Nacional, mas também na democracia venezuelana. Vejamos: a oposição ganhou dois terços do corpo legislativo em 2015, o que permitia mudar a estrutura do Estado, exceto o Poder Executivo. A Assembleia Nacional foi habilitada pelos venezuelanos a mudar as diretrizes da Suprema Corte de Justiça, do Conselho Nacional Eleitoral e do chamado Poder Moral (Ministério Público, Controladoria e Defensoria Pública).

Diante dessa realidade, o madurismo inventou algumas "gravações", onde o suposto áudio de um líder do estado Amazonas (que faz fronteira com o Brasil) foi declarado como "prova" para invalidar a eleição de três deputados, incluindo um indígena, que foram escolhidos por essa jurisdição. Com esta manobra política, impediram a oposição de obter e trabalhar com dois terços dos deputados, evitando assim as possíveis mudanças institucionais acima mencionadas.

Mas o mais incomum é que a Suprema Corte em outra sentença declarou um suposto "desacato" da Assembleia Nacional por esse "fato" de alteração eleitoral, não só invalidando os deputados desse estado, como nunca mais convocando eleições nos centros de votação onde tais eleições deveriam ser repetidas. Essa foi a morte política da Assembleia Nacional em termos "legais", o que significou a origem neototalitária e neoditatorial do governo Maduro.

Tal é o nível de perseguição política contra o poder legislativo que este tampouco recebe seu orçamento desde o final de 2016. Os deputados que vivem nos diferentes estados, geralmente, não encontram passagens aéreas para viajar a capital e participar de várias sessões, e se o fizerem por terra são assediados por militares ou policiais em emboscadas ou bloqueios.

Chegamos a tanta barbárie que uma turba madurista, em julho de 2017, apareceu com paus e pedras atacando alguns deputados na arena legislativa, com sérios ferimentos, no que considero um dos episódios de maior selvageria política e impunidade da nossa história contemporânea. O resto da Assembléia Nacional é história.

Correio da Cidadania: Ainda sobre esse momento, o que você comenta sobre o processo constituinte em si, realizado em julho passado?

Javier Antonio Vivas Santana: Como eu disse no início, a "constituinte" foi ilegítima e ilegal, porque foi convocada por Maduro em 2017 sem referendo prévio para consultar os venezuelanos, se de fato eles apoiavam essa "constituinte", que também impôs um sistema de votação fraudulento de segundo e terceiro graus, com o endosso da CNE e o quadro pseudojurídico do Supremo, ambas "instituições", como indicamos, controladas pelo madurismo.

Em 30 de julho de 2017, as autoridades eleitorais, lideradas por sua presidenta Tibisay Lucena, disseram aos venezuelanos e ao mundo que votaram mais de 8 milhões de pessoas, quando todos vimos os centros eleitorais praticamente vazios. E mesmo com a suposição de que tantos eleitores votaram, os resultados nunca foram oficialmente publicados pela CNE. Se de fato houve pouco mais de 41% de participação eleitoral, ora, significa que houve uma abstenção de aproximadamente 59%, o que explica o tamanho da rejeição de tal processo. Deve ficar claro que os resultados dessa eleição estão em questão, inclusive pela empresa Smarmatic, que havia sido responsável pela realização de todos os processos eleitorais na Venezuela desde o referendo de Chávez de 2004.

Como entender o funcionamento de uma "Constituinte" com quase 600 membros, que também usurpa as funções da Assembleia Nacional, e ainda não escreveu um único artigo de uma nova constituição, e onde se pronunciam os mesmos quatro ou cinco membros, enquanto mais de 40 já foram mudados de funções? Entre eles, aliás, foi transferido, para não dizer destituído, Isaías Rodríguez, ex-vice-presidente e ex-procurador-geral da República no momento do primeiro mandato de Chávez. Ele tentou fazer parte do processo, mas ao fazer algumas críticas sobre a economia e a política foi enviado de volta à Europa.

Além disso, uma vez que essa "Constituinte" começou a operar politicamente, o mercado paralelo passou de uma taxa de 10 mil bolívares por dólar para mais de 230 mil. Com isso, pode se imaginar o nível de desvalorização de nossa moeda de agosto de 2017 até aqui. Desde que esse corpo político foi instalado, a hiperinflação causou estragos na população. A “Constituinte" é apenas um instrumento de controle político e submissão de cidadãos através da via pseudojurídica. Na prática, é a "legalização" do neototalitarismo.

Correio da Cidadania: E qual o significado das eleições municipais no final de 2017?

Javier Antonio Vivas Santana: Antes das eleições municipais, houve eleições regionais que deveriam ter sido realizadas em dezembro de 2016, mas acabaram adiadas para 2017 após a eleição da Constituinte falsa. Nessas eleições regionais, houve relatos de todos os tipos de irregularidades. Desde eleitores que o fizeram em várias mesas, passando por abuso de voto assistido, isto é, pessoas que acompanharam outras para exercer o direito de voto e, claro, o excesso de compra de consciências nos mesmos centros de votação.

O resultado, se levarmos em conta que houve uma abstenção desastrosa para os setores da oposição, entre 10% e 15% em alguns estados, como resultado de um chamado feito pela ala radical deste grupo político para o boicote, gerou uma grande confusão que acabou dando o triunfo ao madurismo. Inicialmente, foram 18 governantes da situação contra cinco da oposição, que finalmente se tornaram quatro, porque o vencedor do estado Zulia, Juan Pablo Guanipa, do partido Primero Justicia, recusou-se a fazer juramento perante a "Constituinte" e não foi empossado. O governo de Zulia, mais tarde, foi novamente disputado no dia das eleições municipais, com o triunfo para o madurismo. No entanto, devo advertir que na prática o madurismo obteve 5,6 milhões de votos contra 5,2 milhões de votos da oposição nas eleições regionais.

Nas eleições dos governadores, além do que aconteceu, há uma séria denúncia de fraude no resultado do estado de Bolívar, o que nos leva à fronteira com Boa Vista (RR), onde Andrés Velásquez demonstrou com registros em mãos que ele foi despojado desse governo. O candidato da oposição fez a queixa perante a CNE com a prova, mas até o momento não recebeu resposta para tal alteração da vontade popular.

Diante desses eventos de vantagem e abuso de poder, a maioria do eleitorado da oposição absteve-se de participar nas eleições municipais, o que concedeu mais de 90% das 335 prefeituras ao madurismo. Em outras palavras, eles estavam sozinhos nessas eleições. Infelizmente, todos esses municípios são conchas vazias, salvo uns 30 que efetivamente têm seus próprios rendimentos para satisfazer parte de suas necessidades ante a espantosa crise econômica e social. As prefeituras só funcionam como centros de controle político local para que o madurismo atue com os chamados Carnês da Pátria.

Correio da Cidadania: Considerando que a hegemonia da oposição é da direita conservadora, qual o projeto alternativo ao chavismo – ou madurismo? O que essa oposição teria a oferecer à Venezuela?

Javier Antonio Vivas Santana: Na minha perspectiva, a oposição sempre confundiu sua estratégia, fundamentalmente porque esta chamada ala conservadora não é conservadora, mas a mais radical, controlada por setores que só pensam que com protestos chamados por setores políticos Maduro abandonará o poder.

Esse setor era o mesmo que exigia a abstenção nas eleições regionais, que marcaram o resultado a favor do madurismo, porque se esses 10% ou 15% votassem, como de fato ocorreu em 2015 nas eleições parlamentares, provavelmente hoje a oposição teria 70% ou 80% dos governos e não menos de 50% das prefeituras.

É um grupo tão autoritário quanto o atual grupo que governa o país, e nisso creio que resida seu fracasso. Durante os protestos, a oposição democrática foi subjugada por esses grupos, em cujo saldo lamentável consta a morte de mais de 100 compatriotas, principalmente muito jovens.

Outro fracasso da oposição é que eles não falam sobre um projeto de país. Eles nunca dizem o que fariam com a PDVSA, as empresas de serviço público ou com as condições econômicas e sociais em cena. Penso que, no final, causam imenso prejuízo enquanto estrutura política e como uma possível alternativa para governar a Venezuela. Enfim, é um setor que não tem credibilidade para liderar.

Diante do fato de termos um governo neototalitário e que mergulhou os venezuelanos na fome e na pobreza, é óbvio que os imensos erros de sua contraparte são o que ainda mantêm Maduro no poder.

Correio da Cidadania: O que você pode comentar sobre o episódio da morte da ex-policial e o oponente do governo Oscar Pérez?

Javier Antonio Vivas Santana: O massacre de El Junquito, como ficou conhecido após a morte de Oscar Pérez e seu grupo de rebeldes, foi um dos fatos mais evidenciadores de como a neoditadura de Maduro se comporta. Havia um vídeo público e notório onde o próprio Pérez falava sobre sua rendição; horas depois, ele era assassinado, não só ele, mas todos os seus companheiros. Esse fato torna-se a página mais obscura de Maduro.

Nesse sentido, basta perguntar ao madurismo: “o que aconteceu com Chávez e aqueles que se levantaram em armas em 4 de fevereiro de 1992, depois da entrega de todo aquele grupo militar? Como foi o tratamento que o governo dessa época, presidido por Carlos Andrés Pérez, deu ao próprio Hugo Chávez e a todos os militares que participaram da revolta?”

Além disso, a forma como os corpos dos rebeldes foram enterrados sem dar-lhes aos seus parentes, que tiveram de fazer uma pressão nacional e internacional extrema, pois se dizia que o governo pretendia cremá-los, nos dá uma ideia da violência excessiva das autoridades, inclusive com a participação de grupos paraestatais, chamados de "coletivos". Neste lado, uma pessoa também morreu e, no momento do enterro, homens com capuz renderam-lhe honras com armas e disparos ao alto, quando o porte de armas está suspenso na Venezuela há alguns anos.

Portanto, do que estamos falando? Bem, de uma ação abusiva clara e flagrante de um Estado que não conhece limites e também viola de forma flagrante a Constituição, as leis e os direitos humanos.

Correio da Cidadania: Qual é a força do chavismo hoje? Como está o clima político nos setores populares que sustentaram o processo bolivariano até agora?

Javier Antonio Vivas Santana: Para mim, o chavismo morreu junto da passagem de Hugo Chávez. O que existe é uma dissidência chavista. Nós nem sequer temos textos escritos com um fundamento epistemológico para explicar o que era chavismo. Já alguns vão falar sobre o "plano do país" ou esse ou aquele documento. O marxismo tem O Capital e Adam Smith escreveu sobre o liberalismo econômico. Quem pode falar sobre o que é o chavismo?

Sobre isso, eu já disse que a única coisa que o chavismo nos deixou foi um movimento de massas com raízes populares e muitos sentimentos nacionalistas que, infelizmente, foram diluídos com a morte do líder. O eminente professor e amigo Heinz Dieterich escreveu sobre o Socialismo do Século 21, mas ele também nos disse que Maduro aboliu completamente o projeto original de Chávez.

De lá, veio o madurismo como uma maneira neototalitária de controlar e manter o poder, sobre o que estamos escrevendo muito. Maduro e sua claque aplicaram todas as possíveis perversões na destruição de um Estado e sua Constituição. A sujeição ao pensamento único tentando se estabelecer em escolas e colégios. Os setores populares estão muito empobrecidos e cruelmente maltratados pela crise. O madurismo apenas usa a imagem de Chávez como uma forma de propaganda política, mas na prática faz o oposto do pensamento do líder.

O madurismo obriga a população e funcionários públicos a participar de suas reuniões. Chávez era uma torrente por onde passasse. Bastava dizer que estaria em determinado lugar para ver como uma cidade inteira se movia espontaneamente para vê-lo, mesmo além das fronteiras venezuelanas. O madurismo aplicou um programa econômico perverso que fez os venezuelanos viverem uma hiperinflação terrível na esfera social.

Chávez tinha um barril de petróleo de US$ 7 quando chegou ao poder, foi objeto de um golpe de Estado e uma guerra econômica autêntica, além de uma greve de petróleo entre 2002 e 2003, e mesmo assim nós venezuelanos não experimentamos uma crise dessa magnitude. Pelo contrário, ainda tivemos picos de prosperidade e redução da pobreza entre 2005 e 2012.

A maioria das pessoas rejeita Maduro e a melhor prova disso é ver os setores mais humildes que fogem da ditadura que domina a Venezuela de norte e sul, leste a oeste. Você só tem que dar uma olhada na fronteira com o Brasil para ver que as pessoas que emigram não são exatamente oligarcas ou milionárias, são as pessoas pobres que foram totalmente destruídas por aquele que se chama de "filho de Chávez". Quem tem olhos que veja!

Correio da Cidadania: Que caminhos, em sua visão, poderiam ser tomados para o país sair da crise social, econômica e política?    

Javier Antonio Vivas Santana: Alguns dias atrás, escrevi na Venezuela um artigo em que dizia: “Maduro deve sair do poder em 10 dias”, que gerou um imenso debate e chocou a classe política madurista.

Coincidentemente, no outro dia foram tomadas pela guarda nacional todas as grandes, médias e pequenas cadeias de shopping centers, supermercados e mercados populares. Talvez muitos entenderam que estava textualmente prevista a saída de Maduro neste prazo, mas no meio desses 10 dias começou um movimento desencadeado espontaneamente, um grande protesto nacional de todos os setores da população por causa da terrível crise que estamos enfrentando.

O adiantamento das eleições responde ao que está por vir, e o madurismo sabe disso. Essa é a razão pela qual eles tentam se posicionar ilegitimamente no poder. A verdade é que, quando chegar o dia do protesto nacional originado pelos setores populares, Maduro não resistirá além de 10 dias com o controle político, mesmo que seja um dia depois de qualquer eleição fraudulenta, porque ele teria de massacrar um povo e nossas forças armadas, essas que estão apartadas da cúpula militar controlada por Vladimir Padrino (que tem sua família morando no exterior). Falo do “povo uniformizado”, como dizia Chávez, aquela oficialidade e tropas que vivem no coração e nos sentimentos das pessoas.

Teremos dias de grande importância para a Venezuela, mas acima de tudo a incerteza e a falência econômica jogam contra Maduro. Não haverá carnê que o sustente quando absolutamente nada puder ser comprado com o bolívar pulverizado, e esse dia está se aproximando.

Para sair da crise, uma vez que Maduro abandone o poder, é necessário construir um governo de unidade. Temos uma excelente Constituição e um quadro legal que deve ser reformado. Um plano econômico sério e credível deve ser aplicado, por exemplo, semelhante ao Plano Real que Cardoso aplicou durante sua presidência, quando os resultados neste caso foram, independentemente das críticas, positivos para a população.

A Venezuela deve recuperar sua indústria petrolífera, redescobrir os canais em sua agroindústria e abrir-se ao capital nacional e internacional, com regras claras que respeitem os direitos trabalhistas e sociais. Só então podemos sair deste estágio para outro, de curto, médio e longo prazo.

Correio da Cidadania: Como associa toda a crise venezuelana aos ventos políticos mais regionais e globais, talvez simbolizados com maior força na eleição de Donald Trump?Falando em Estados Unidos, como se deve encarar as especulações de ingerência externa na Venezuela?

Javier Antonio Vivas Santana: Uma coisa é ser nacionalista, soberanista, e outra é viver com uma xenofobia política contra os Estados Unidos. E essa foi a política madurista, e até de Chávez enquanto estava no poder. O madurismo é hipócrita quando fala de soberania, mas entrega nossos espaços de exploração de petróleo e mineração para as corporações russas, chinesas, canadenses ou transnacionais, sem o menor respeito pelos padrões ambientais e laborais, e pior ainda, permite a cubanos acesso a áreas estratégicas de controle político e militar no país.

Donald Trump não é exatamente o melhor presidente que a nação norte-americana teve, e provavelmente é o cara mais arrogante e egocêntrico que atravessou a Casa Branca, razão pela qual o madurismo subestima que exista uma possível intervenção contra a Venezuela, ignorando que a questão geopolítica não pode ser tratada como se “aqueles que se opõem a mim são lixo”.

É uma mentira que a China ou a Rússia vão declarar a guerra aos Estados Unidos, caso este decidisse remota e unilateralmente invadir o nosso país, com todo o direito de veto dessas nações no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como venezuelano, eu rejeitaria qualquer intervenção de potência estrangeira na Venezuela, mas também devo rejeitar que sob esse argumento Maduro destrua a nação e imponha um regime neototalitário e empobrecedor. É tácito. Nem uma coisa nem outra, mas os venezuelanos não serão responsáveis, se amanhã a liderança torpe gera um conflito extraterritorial, ao desafiar todos os vizinhos e criar um confronto político permanente, que gere apenas problemas de desenvolvimento social, especialmente com as nações que cercam a Venezuela.

Por enquanto, acho que o governo Trump está alertando Maduro para retornar ao caminho das normas constitucionais, mas também abandonar essa diplomacia que o caracterizou nos últimos anos. Maduro retornará ao caminho da democracia? Eu realmente duvido. Portanto, só esperamos que, quando estivermos nos últimos dias do madurismo no poder, o sangue não chegue ao rio.

Correio da Cidadania: Que resumo você faz dos chamados governos progressistas que chegaram ao comando de vários países latinos no início do século 21?

Javier Antonio Vivas Santana: Em síntese, esses governos foram positivos para a região. Desde que Chávez chegou ao poder em 1998, incluindo Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner na Argentina, Lula da Silva no Brasil, Evo Morales na Bolívia, Daniel Ortega na Nicarágua, Rafael Correa no Equador, bem como Michele Bachelet no Chile, entre outros, ficou demonstrado que existe a possibilidade de avançar com as chamadas ideias da esquerda, mas com respeito pelas normas democráticas.

O desastroso governo de Maduro, que não é exatamente da esquerda, influenciou diretamente no desprestígio de qualquer candidato que se chame desta tendência ideológica ou que tente lutar contra a chamada direita. Por quê? Porque a qualquer candidato adverso aos candidatos chamados de progressistas será suficiente dizer: "olhe para a Venezuela", para que imediatamente o medo político e social invada a população e as diferentes estruturas de nossas sociedades. Maduro tornou-se um sério problema para os esquerdistas da região.

O candidato de Kirchner foi derrotado por Macri nesse debate. Lula, apesar de levar o Brasil a um nível invejável de progresso, até o ponto de hospedar Jogos Olímpicos e uma Copa do Mundo, enfrenta muitos temores sobre o que acontece na Venezuela, pois pode ser traduzido em uma projeção política contra o líder do Partido dos Trabalhadores através de normas legais manipuladas, assim como faz Maduro, para evitar que ele seja candidato presidencial novamente. E no México, o caso de López Obrador é um espelho de como se pretende ligá-lo a Maduro para interromper seu progresso, situação que o próprio candidato terá de superar se quiser se tornar uma opção vencedora no país azteca.

Embora os governos progressistas tenham feito importantes progressos econômicos e sociais, o nível político continua infestado de corrupção, abuso de poder e violações dos direitos humanos. Nós temos Ollanta Humala e sua esposa cumprindo uma sentença no Peru, denúncias sobre Correa, Cristina Fernandez e Lula... Tais fatos revelam que a luta para a esquerda agora está contaminada por essa tendência ditada pelo madurismo, o que traz presságios de que os ventos demorem a soprar para a esquerda na América Latina. Vamos ver o que o tempo nos diz.


Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania.

Comentários   

0 #4 RE: “As eleições são farsa e a Venezuela não tem saída sob o neototalitarismo de Maduro”Gabriel Brito 10-03-2018 11:56
A pergunta é: o que aconteceu com a esquerda? Pois essa acha que a vida das pessoas é instrumento. O país tá acabado, tem 40 mil pobretões em Roraima e o professor, que colaborou 10 anos no governo Chávez, não tem acesso a remédios de epilepsia, não sabe se a família come direito hoje? Ora, dane-se, tem que fazer o discursinho sob medida da esquerdona que, ao menos por aqui, mal pode continuar a ser chamada de anticapitalista e ainda aceita ser massa de manobra do lulismo, a essa altura dos acontecimentos. Então não importa a realidade, o sofrimento e revolta das pessoas - isso num país onde se tem bastante primazia sobre os meios de produção e manda no Exército, ou seja margem de esculpa próxima de zero. Importa o discursinho a serviço da máquina de poder e mentiras de quem não larga o osso e sempre deixa a revolução pra amanhã. Tá certo então, por isso continua circunscrita aos clubinhos de sempre e não comove ninguém, nem mesmo os jovens de esquerda que não vivem nos aparatos e ambientes tradicionais da política "progressista". Tempos de profunda desonestidade intelectual....
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0 #3 RE: “As eleições são farsa e a Venezuela não tem saída sob o neototalitarismo de Maduro”Rafael Isaacs 09-03-2018 08:21
O que houve com o Correio da Cidadania??
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0 #2 RE: “As eleições são farsa e a Venezuela não tem saída sob o neototalitarismo de Maduro”renato nucci junior 02-03-2018 08:49
Nossa! Estou impressionando com a entrevista. Se é notório que a situação da Venezuela resulta de muitos erros das gestões de Maduro, principalmente por sua política de conciliação de classe, não é menos verdade que a guerra econômica e diplomática patrocinada pelo imperialismo tem muita culpa em toda a situação. O que me surpreende é o entrevistado fazer a defesa de fascistas como Capriles e Leopoldo López, que incentivaram manifestações violentíssimas. Chamar o terrorista Oscar López de rebelde, então, é o cúmulo do absurdo. Mas a cereja do bolo fica para o final: dizer que as ameaças de Donald Trump não passam de um alerta para Maduro retornar às normas constitucionais... Decepcionante e revoltante essa entrevista.
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0 #1 RE: “As eleições são farsa e a Venezuela não tem saída sob o neototalitarismo de Maduro”Marcio Maraca 02-03-2018 00:53
fracamente, pra não dizer completamente, este senhor quer nos passar a idéia de que o governo Maduro é um governo neotototalitário... a mim me parece que ele não leu Hannah Arendt e demonstra sua incompetência sobre o assunto.
Quando aos problemas econômicos da Venezuela, todos eles são agravos da tirania econômica imposta pelos EEUU à Venezuela, com suas ameaças de intervenção e sanções...
Porque ele não fala nada sobre o sucesso do Petros, a criptomoeda digital da Venezuela?
As perguntas do sr. Gabriel também são do mesmo baixo nível do seu entrevistado...
Só derrota, derrota, e viva o quanto pior, melhor...
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