Podridão total

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Quem poderia imaginar que depois da ditadura militar teríamos um país em derrocada total! Pois não é outra a conclusão a que se pode chegar, após alguns episódios gritantes da politicalha oficial. Pelo menos dois fatos importantes marcaram a vida nacional nesta semana de 11 de setembro – não, não foi nenhum atentado à bomba, como aquele das torres dos Estados Unidos! Foram duas maracutaias deslavadas, “duas bombas” contra o povo.

 

Em São Paulo, a imprensa publicou informação de que “a pedido da Nestlé, a Prefeitura de São Paulo decidiu reduzir a qualidade nutricional da sopa que pretende distribuir em um dos programas que irá reunir pais e alunos aos sábados nas escolas e creches municipais”. (Folha, 12/09/07). A Nestlé queria participar da concorrência para o fornecimento à municipalidade e foi atendida. Vejam só o disparate: a quantidade de carne por 100 quilos do alimento desidratado foi reduzida de 7 quilos para - pasmem! - 0,5 quilos (isto é, de sete para meio quilo); a cenoura foi reduzida para oitocentos gramas e outros vegetais para apenas um quilo. Traduzindo: família pobre e carente tem que – em plena consciência das “autoridades” - passar por um processo longo de desnutrição a fim de garantir que a Nestlé aumente ainda mais seus já fabulosos lucros no Brasil. A Nestlé pratica um grave crime contra a qualidade da vida do povo e o prefeito comete crime de prevaricação, ambos na somatória do genocídio que se pratica no Brasil e nos países terceiro-mundistas. A pergunta que fica é: haverá alguma punição para tão monstruoso crime contra nossa infância? Será que a justiça está atenta? Esse atentado contra a vida do povo será investigado pra valer? Seus praticantes serão punidos? Kassab perderá o mandato e se tornará inelegível? A Nestlé ser punida com a perda do direito de participar das licitações públicas, em ambos os casos como manda a própria lei burguesa?

 

Bem, o outro episódio vem doendo no mais profundo da alma do povo brasileiro: o Senado deu provas de que, definitivamente, faz parte da podridão que assola os Três Poderes desta “Terra de Santa Cruz”. É inconcebível que ainda haja votação secreta, em questões de ruptura com a ética ou em questões de enriquecimento ilícito por parte dos “representantes” do povo. Em questões de desprezo da mais sadia moral, nada mais que outra prática rigorosamente imoral, escandalosa e mesquinha. A “absolvição” é prova de que a maioria é corrupta e/ou conivente com a corrupção. Se conivente, de acordo com a lei, se torna tão criminoso quanto o réu. Assim, mais uma vez o Congresso Nacional se tornou sede da maior pizzaria do planeta. A baixaria absolveu mais um “picareta”, colocando-se quase todos no mesmo nível ou, pior ainda, em nível bem inferior que o réu, que se sente prestigiado por seus colegas.

 

Sinto a decepção entre as pessoas com as quais convivo, assim como a crescente descrença nas instituições. Mas isso não basta, é importante ir além, é preciso o protesto público e a disposição de dizer um vigoroso “não” à reeleição dessa corja toda. Para o bem das atuais e principalmente das próximas gerações é preciso ter a coragem de romper com a nefasta lógica burguesa, que usurpa o poder do povo, que transforma mandato popular em coisa de interesse próprio; romper com a lógica do nefasto capital que, por conta da acumulação cada vez maior de riquezas, pratica constantes atentados contra a vida de nossa infância e juventude.

 

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

 

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