Governo cede a meias verdades patronais em mais um corte de encargos sociais

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A insensatez da busca contínua e progressiva de lucros e mais lucros faz com que os poderosos desprezem a vida alheia, desconsiderem o patrimônio comum que é a natureza, depredando-a e gerando o processo da extinção de todo e qualquer tipo de vida no Planeta Terra. Tudo pode, se der lucro!

 

Para garantir tal processo tresloucado de acumulação, os donos do capital não hesitam em planejar constantes ataques aos direitos do conjunto do povo. E para garantir o assalto ao que é alheio – pior ainda, “legitimá-lo” –, criam todo um sistema para divulgação de suas mentiras e “meias verdades”. De tanto mentir, por longos e longos anos, vão impondo seus crimes e fazendo-os aceitos pela maioria desinformada e pelos oportunistas.

 

Se no mundo o capital vem desfechando ataques constantes aos direitos trabalhistas, no Brasil esses ataques ganham forma de cretinice. No dia 24 de julho último, o Estadão publicou matéria em que a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirma que o Brasil é o primeiro em encargos trabalhistas. E segue esmiuçando os “gastos” que as empresas têm com tais encargos. É aí que entram as malandragens dos inescrupulosos. Misturam “alhos com bugalhos”, confundindo os menos avisados. Colocam, por exemplo, o 13º salário e férias como encargo, o que é absolutamente falso.

 

Segundo esclarecimentos do DIEESE e interpretações de pesquisadores da UNICAMP, o 13º e as férias fazem parte dos rendimentos anuais dos trabalhadores, e não dos encargos sociais. Aliás, é bom que se esclareça que, somando todos os rendimentos do trabalhador brasileiro, seu salário médio permanece enormemente inferior aos rendimentos de trabalhadores dos países industrializados. Na Europa tal ganho chega a ser três vezes maior que o daqui. Basta comparar o salário mínimo da maioria dos países europeus (que varia entre 800 e 1.000 euros – entre 2.000 e 2.500 reais) para se ter uma idéia aproximada da realidade. Alguém, que não seja insano, terá coragem para colocar no mesmo patamar os salários do brasileiro com os que vigoram nos EUA e Japão?

 

Portanto, são ao menos duas as mentiras da FIESP: 1) rendimento não é encargo; 2) a proporção entre os encargos reais se torna muito maior nos demais países industrializados, porque os salários de lá são bem mais elevados. Exemplo: salário de R$ 1.000,00, no Brasil, com encargo de 32,4% (segundo a FIESP), elevaria esse “gasto” empresarial para R$ 1.324,00. Salário correspondente na Europa de R$3.000,00, com encargos de 25%, faz elevar esse ônus para R$ 3.750,00. Logo, um ônus muito maior lá que aqui. Ainda mais: de acordo com o DIEESE e a UNICAMP, os encargos brasileiros não passam de 25,1% da folha de pagamento, portanto, bem inferiores ao que é alardeado pelos empresários.

 

O que está por trás dessa falácia? Forçar o frágil governo Dilma a entrar na onda empresarial para que sejam reduzidos tais encargos, permitindo aumentar ainda mais seus já fabulosos lucros, jogando a conta para as costas do povo que trabalha. Cobram da presidente que reduza em 20% a contribuição das empresas à Previdência. E ainda alardeiam que a Previdência está falida! Os grandes empresários não têm moral nem escrúpulos: têm interesses econômicos e nada mais.

 

Convém desmascarar ainda mais esse bando de larápios: os lucros empresariais no Brasil estão entre os mais elevados do mundo e seus ganhos anuais batem recordes sobre recordes. Quem duvidar que consulte as fontes econômicas oficiais ou, no mínimo, siga as informações dos jornais da própria burguesia. Ou será que grandes empresas de automóveis, de motos, da extração mineral e do petróleo se instalam no Brasil para ajudar os pobres? E o que falar das licitações superfaturadas nas obras públicas? O que falar das escandalosas sonegações de impostos praticados pelo capital? Nada disso a FIESP aborda.

 

O que é pior em tudo isso é que o governo vai cedendo às pressões do capital e entidades de classe se acomodam nos seus favores e espaços governamentais.

 

Ben Sirac já advertia os trabalhadores, 132 anos antes de Cristo: “Enquanto você for útil, o rico o explorará, mas quando você precisar ele o abandonará... Fará você ficar envergonhado, até despojá-lo duas ou três vezes” (Eclo. 13, 3-7).

 

Qualquer semelhança não será mera coincidência.

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

 

Comentários   

0 #5 realidade duraclaudio campos 05-09-2011 14:07
sou um ex. metalurgico ,comecei em ano 67 na volks.em SBCAMPOS e trabalhei durante 29 anos,participando das greves,levando enfim a ideia ''que o trabalhador tinha que estar no poder'',alavancamos os lideres com apoio e recursos estes se serviam do nosso sindicato um dos mais ricos da america latina e hoje que estamos aposentados ,é só decepeção e pauladas em cima dos aposentados que no passado os apoiaram .ESTES'' trabalhadores'' que estão no poder nos fez a pior coisa que poderia acontecer é perder a esperança do que o trabalhador no poder venha fazer justiça social em nosso país e que ideologia é um mero instrumento para enganar ao povo para chegar ao poder e usufruir dele , e nem servem para fazer uma brilhante defesa dos trabalhadores como que o senhor faz em seu artigo.EU me identifico muito com suas ideias e espero um dia ter o prazer de conversar e aprender mais com o senhor.
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0 #4 RE: Governo cede a meias verdades patronais em mais um corte de encargos sociaisDiogo 11-08-2011 12:05
Me interesso pela metodologia de cálculo, especialmente. Porém não encontrei ainda. Alguém me dá um caminho? Grato.
Ahh... se os impostos consomem 40% dos ganhos do trabalhador, e os conselhos dos "consultores de finanças pessoais" (não inventei esses, aparecem volta e sempre no Jornal Hoje) indicam poupar 10% dos rendimentos, quem mesmo fica com os 50% restantes?
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0 #3 rico não paga impostorenato machado 07-08-2011 10:13
E sem nunca esquecer que rico não paga imposto no Brasil. Numa informação recente dos quase duzentos mil milionários brasileiros apenas 5.294 deles apresentaram declaração de imposto de renda confirmando isso. O Imposto Territorial Rural é um verdadeira escracho , um deboche trágico no Brasil. A inflação continua à solta , pois cada vez nosso dinheiro compra menos quantidade e ou qualidade do produto. etc , etc, etc.
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0 #2 RE: Governo cede a meias verdades patronais em mais um corte de encargos sociaisWaltenydsam 06-08-2011 02:39
Está na moda culpar os impostos. Acredito que os problemas do governo estão na ineficiencia em ser um governo para o povo, e não o que ocorre de fato: um governo para as empresas.
Os impostos mantém a parte social do país, mas, que capitalista quer bancar isso?
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0 #1 Enquanto isso...Raymundo Araujo Filh 05-08-2011 16:36
A Ex esqwuerda corpration S,A. passa o dia elogiando a DiLLma "por ter demitido jobin" e dizendo que o governo era vítima deste homem....
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