Urge revolucionar 'nossas' estruturas de poder

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Está cada vez mais difícil encontrar alguma notícia agradável através da mídia que invade diariamente os lares brasileiros. Violência é um prato cheio para os irados e para os ansiosos por fortes emoções; falcatruas vão desde algum vizinho nosso, passando por empresas e empresários de fachadas, provocando verdadeira inundação da corrupção nas Câmaras municipais, nas prefeituras, nas Assembléias Legislativas e nos governos estaduais, no Congresso Nacional (Câmara e Senado), na Presidência da República (que envolve ministros, auxiliares e tantos outros de segundo escalão) e, pior que tudo, inunda o chamado Poder Judiciário, aquela turminha de letrados e “juristas” que deveria cuidar da verdadeira justiça, dos direitos populares.

Contatos com companheiros, pessoas das comunidades e vizinhos nos revelam a decepção e a descrença popular crescentes nas instituições. Não bastasse tanto frustração, ainda sentimos que tudo isso vai se tornando coisa corriqueira na cabeça do povo, cuja reação principal é a acomodação, principalmente entre os adultos. Já no meio da juventude sentimos, feliz ou infelizmente, conforme o caso, reações positivas e negativas, portanto bem diferentes.

Há, hoje, uma quantidade muito grande de jovens que, revoltados com tantas e tão freqüentes injustiças - não tendo perspectiva de uma vida com dignidade -, buscam na droga, no tráfico e no roubo algum sentido para suas vidas sofridas e frustradas. Como resultado, sentimos na carne suas conseqüências, pois o medo e a insegurança são os fatores que mais crescem no conjunto da população. Os assaltos, os assassinatos e as várias formas de violência com cruel selvageria são exibidos com muita insistência pelos meios de comunicação, e violência que não parte apenas dos rebeldes excluídos de oportunidades, pois elas fazem parte da prática diária de agentes encarregados da segurança pública: policiais, carcereiros, delegados, secretários de segurança... Essa situação é tão assustadora que muita gente não sabe se é pior ter policiais ou ladrões por perto.

Porém, hoje, felizmente, cresce também, e muito, e número de jovens que se rebelam com tudo isso. Muitos buscam entre os próprios jovens, nos vários grupos que se formam a cada dia, nas escolas, no trabalho, nos bairros e nas comunidades religiosas, espaços para dialogar sobre essa realidade, entender suas causas, compreender melhor as graves conseqüências de tantos crimes praticados contra o povo, buscando também encontrar saídas, caminhos que possam indicar possíveis mudanças. São jovens de ambos os gêneros que buscam dar um sentido para suas vidas, que buscam compreender qual seu papel na vida social e política.

Fruto dessas mudanças no meio juvenil, nos últimos meses temos presenciado várias formas de protesto e de rebeldia coletiva, protestos que denunciam os crimes e exigem punição para os criminosos, primeiramente para os criminosos do colarinho branco; que exigem mudanças nas políticas públicas; que contestam as reformas neoliberais e que exigem um vasto programa de governo capaz de levar este país ao crescimento e ao desenvolvimento, tanto econômico - independente dos humores do capital espoliador -, que seja distributivo, quanto desenvolvimento social que gere a inclusão de todo o povo brasileiro e não apenas de uma ínfima parcela, dessa elite inescrupulosa, sanguessuga dos frutos do trabalho alheio.

Sentimos que a tendência desses movimentos de protestos é crescer em ritmo acelerado, fato que vem deixando autoridades preocupadas, já que a repressão pura e simples não tem impedido as manifestações e, até pelo contrário, tem acirrado os ânimos juvenis. Isto implica em que teremos momentos fortíssimos de enfrentamento, mas não indica tendência ao retrocesso e ao medo.

Muito bom será se nossa juventude compreender que é preciso dar passos significativos para que se processem profundas reformas estruturais, contemplando o controle popular sobre todas as instituições, sejam elas municipais, estaduais ou nacionais. Está mais que na hora de se exigir que o povo, através de organismos populares verdadeiramente democráticos, tenha o direito de fiscalizar a prática política, econômica e social dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário), de exercer o controle sobre as forças responsáveis pela verdadeira segurança pública. Deve exigir o direito de cassação de cada um ou de todos os seus membros, se motivo houver para tanto. O povo tem o direito e a necessidade urgente de dizer “BASTA!” a tantos crimes e criminosos que assaltaram os poderes da “rés-pública”, exigindo o verdadeiro poder, que é seu!

 

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

 

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