Trabalhadores pedem justiça e Lula responde com o exército

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Ontem, dia 23 de maio, uma quarta feira chuvosa, o Brasil pôde assistir à retomada das mobilizações sociais, até então em estado de letargia causada pela vitória da esperança sobre o medo em 2002. O movimento social e o povo em geral estavam à espera da implantação das reformas que viessem ampliar os direitos dos trabalhadores e de toda a população explorada. Isto num país em que as dívidas sociais vêm desde que portugueses, em nome da coroa de Portugal, invadiram nossas terras, escravizaram e assassinaram indígenas, implantaram à força um regime em que as terras confiscadas aos seus habitantes naturais eram “doadas” pelo usurpador, rei de Portugal, aos seus capangas e capatazes. Nos últimos pouco mais de quatro anos, o movimento social estava dando tempo para que Lula governasse em busca de um país menos injusto, e ainda contribuíram para sua reeleição. 

 

Pois bem, cansados de tanto esperar e de ver proliferar desmesuradamente a corrupção, a impunidade, a enorme farra com nosso dinheiro, as contra-reformas que lesam os trabalhadores e toda a Nação, os movimentos populares resolveram deixar de lado, em parte, suas paixões partidárias e, em busca de uma unidade necessária, fazer acertos para protestar em conjunto contra tantos abusos e crimes, para se opor aos assaltos desfechados em cima dos direitos do povo trabalhador. 

 

O dia 23 de maio de 2007, pelo que ocorreu nos quatro cantos do país, tem tudo para entrar para a História como o dia da retomada das lutas do povo em defesa dos seus direitos. De todos os cantos do país nos chegam notícias, centenas delas não divulgadas pela mídia, de atos de protestos contra as medidas do governo federal e de governos estaduais, contra suas políticas marcadas pela corrupção, pelas “privatarias” (privatizações + patifaria), pelo autoritarismo que vem sendo praticado contra a população brasileira. 

 

Em vários lugares, segundo a própria imprensa burguesa, os governantes não titubearam em colocar suas polícias de choque para reprimir os reclamos populares. Pior ainda foi tomar conhecimento da atitude do presidente da República, eleito pelos trabalhadores, em relação aos conflitos na Hidrelétrica de Tucuruí, no estado do Pará.  

 

Em protesto pelo não atendimento aos seus mais comezinhos direitos reclamados há anos, de ressarcimento pelas perdas de suas terras, por ocasião da construção da barragem - e reivindicando melhor qualidade de ensino para seus filhos e filhas, melhor atendimento médico, construção de poços artesianos e eletrificação da zona rural -, cerca de 600 pessoas ocuparam algumas instalações da Hidrelétrica de Tucuruí, num mesmo dia de protesto nacional. Em vez de atender às suas reivindicações e fazer um pouco de justiça, Lula repete a ditadura militar e manda colocar a Polícia Federal e o Exército para reprimir os trabalhadores.  

 

Muita gente não percebeu ainda que Lula tem revelado que sempre sonhou com o poder e tudo fez para alcançá-lo, com todo apoio dos movimentos sociais e dos amantes da justiça. Chegar ao mais alto escalão do poder do Brasil não seria nenhum crime, se esse poder fosse colocado a serviço da imensa maioria do povo, espoliado e jogado na miséria, se fosse colocado a serviço da Nação. Porém, não é isso que os fatos estão revelando.  

 

Lula gostou do poder e da companhia daqueles que sempre detiveram o poder político e econômico no país. Tanto que não hesita em usar do autoritarismo e da repressão para passar por cima dos elementares direitos do seu povo, tal como o direito universal de protestar e de reivindicar. Lula, como toda a elite que tem governado o Brasil, faz questão de desconhecer o pilar constitucional que trata dos direitos dos cidadãos, cujo enunciado mais importante diz que “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”. Lula não pode esquecer que não se engana o povo todo o tempo todo. Suas medidas repressivas poderão recair sobre sua própria cabeça. 

 

Apesar disso e até por causa desses desmandos oficiais, podemos crer que bons sinais esses do dia 23 de maio, em que o povo começa a sair do marasmo e dá sinais claros de que quer voltar a exercer seus plenos direitos de decidir os destinos da Nação. Estamos, pois, no caminho da Construção de um grande Mutirão Popular para Edificar Um Novo Brasil, cujos pilares centrais sejam a justiça universal e a solidariedade. Esses dois pilares, que encerram em si a prática de um governo participativo, que garanta trabalho para todos, distribuição das riquezas produzidas, bem estar social universal, desenvolvimento econômico-social sustentável, garantia da Soberania Nacional.

 

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.  

 

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