Perspectivas sombrias para os trabalhadores

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Informo ao leitor que estou escrevendo este artigo ainda em dezembro (18), portanto, com dados sujeitos a atualizações. Como de costume, este primeiro artigo deverá apontar para as perspectivas do ano entrante, no que se refere ao movimento social. E elas não são nada animadoras.

 

A crise financeira que abala o mundo capitalista, tão comentada por todos os meios de comunicação, já está trazendo enormes prejuízos para os trabalhadores do mundo inteiro. No Brasil não poderia ser diferente. Apesar das falas do presidente Lula - logo no início do escândalo da agiotagem internacional - de que o Brasil não seria afetado pela crise, que o governo não iria dar suporte às empresas envolvidas em dificuldades financeiras, tais afirmações não foram praticadas e os efeitos da crise já se fazem sentir e de maneira muito forte.

 

Primeiramente pelo desemprego que já vem ocorrendo, que se acelera a cada dia e já assombra os lares dos trabalhadores. Nestes dias (meados de dezembro), se multiplicam os anúncios de demissões em vigor, deixando apavorado aquele que depende de um salário. O trabalhador comum, calejado de tanto pagar os "prejuízos" do capital, sabe que mais dias menos dias terá que fazer das tripas coração para não se deixar abater pelo desemprego que poderá adentrar seu lar. Amparadas pelo medo popular, gerado através dos meios de comunicação, as empresas usam e abusam do direito de chantagear. Sabem que têm em suas mãos o governo Lula e as grandes centrais sindicais, particularmente a Força Sindical – cujo dirigente, deputado envolvido em corrupção, o Paulinho, já se manifestou favorável às propostas do empresariado - e a CUT, comprometida até o pescoço com a política do governo Lula.

 

O capital faz chantagem promovendo demissões, enquanto propõe cinicamente ao governo que faça as reformas nas leis trabalhistas, "flexibilizando" direitos dos trabalhadores (melhor seria dizer "roubando direitos"). O peleguismo, instalado nas cúpulas das centrais e dos sindicatos por elas controlados, se curva ante a vergonhosa proposta patronal, negociando até mesmo demissões e suspensão temporária do contrato de trabalho para os que ainda permanecem na empresa, porém, com seus salários pagos com dinheiro do fundo desemprego durante meses seguidos, portanto, com dinheiro do povo.

 

O outro motivo para sérias preocupações vem da autorização dada pelo presidente da República ao presidente do Banco Central (sr. Meirelles) para soltar a rodo dinheiro do orçamento nacional em favor das empresas que se dizem em crise, o que, já sabemos, significa cortar gastos com saúde, educação, saneamento básico, defesa do meio ambiente, reforma agrária, moradias populares...

 

Sem dinheiro girando, vem a recessão, que gera mais desemprego, com efeitos nefastos para todo o povo brasileiro. Recessão, desemprego, afastamento temporário do trabalho, achatamento salarial e cortes do orçamento nos setores sociais formam um conjunto extremamente nocivo à qualidade de vida do nosso povo sofrido.

 

Como o movimento social está muito dividido, com muitos deles rendidos à política governamental, as chances de uma ampla mobilização popular a fim de exigir profundas mudanças na política econômica são remotas, embora não impossíveis. Claro que ainda temos parcelas significativas do movimento organizado em estado permanente de vigilância e em trabalho persistente de esclarecimento popular. Mas, sabemos muito bem, são ainda muito frágeis para conseguir fazer frente à tempestade social que se avoluma.

 

Como nada é absolutamente certo e determinado, pode ocorrer uma quase que impensável tomada súbita de consciência da população, propiciando um levante popular ainda não desenhado. Aos militantes sociais comprometidos com a luta pela justiça e com a solidariedade, cabe depositar suas esperanças no trabalho de base e nos esforços para juntar os cacos restantes, sem esmorecimentos, acreditando que é possível promover mudanças no comportamento da população afetada pela crise. Combinar trabalho de base acelerado com esforços pela mobilização popular não é fácil. Mas é o caminho que resta aos lutadores do povo. E isso exige ideal e perseverança.

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

 

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Comentários   

0 #3 Divisão da basezilda 15-01-2009 10:18
A vocação das esquerdas para se fragmentarem é uma tragédia! Partidos divididos, cada um com sua Central Sindical. Cada um querendo sua parte no poder e o povo, dane-se! Não sinto mais ideal, empenho nos "lutadores do povo".A desmobilização é tão grande, que discursos inflamados da chamada esquerda, tornou-se enfadonho porque repetitivo. Passamos 40 anos falando o que o PSOL e o PSTU repetem hoje. Na hora de agir, fazem o mesmo.A maioria dos vereadores eleitos pelo PSOL foi em aliança com o DEM/PSDB. Dá pra entender uma loucura dessas? O que há é muita ambição. O espírito da sociedade individualista e consumista está impregnados nas esquerdas de uma maneira geral. Todos querem se dar bem na vida. O resto, é o resto.
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0 #2 Menos...Jose Fonseca 07-01-2009 14:29
Menos Waldemar, menos....
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0 #1 OPORTUNIDADESLuiz Iurki 07-01-2009 06:29
Creio que se confirmados os efeitos nefastos desta crise, os atores sociais terão oportunidade de movimentar a base de afetados para promover as reformas que o país necessita...Caro Waldemar ...apreciaria um contato(telefone e e-mail) seu para falar sobre um movimento nacional de reformas começando pelo parlamento... um grande braço
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