Instituições reacionárias, capachos do capital, criminalizam MST

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Aproveitando-se da incompetência ou da conivência do governo federal, sem disposição para levar avante a reforma agrária – bandeira de frente das campanhas do seu partido durante 22 anos –, os latifundiários e as empresas agrárias estrangeiras se aproveitam para avançar sobre as terras brasileiras e para corromper as já tão nodoadas Instituições Estaduais e Nacionais. O Congresso Nacional se curva diante das pressões do lobby do latifúndio exercido através dos congressistas ruralistas, aprova leis que o beneficiam, se mantém imóvel ante o desrespeito das leis que deveriam punir trabalho escravo, se cala diante de tantos crimes cometidos contra trabalhadores e pequenos proprietários rurais, contra as nações indígenas que ainda resistem em defender seus direitos e em não serem extintas definitivamente. Aprova as Medidas Provisórias do governo Lula que liberam o plantio de sementes transgênicas e que legalizam a prática da grilagem sobre as terras devolutas.

 

Nos estados, governos colocam a polícia para reprimir com violência os trabalhadores rurais sem terra (assim como aos demais trabalhadores), defendendo grandes grileiros e empresas predadoras da natureza, como acontece no Pontal do Paranapanema (SP) e em vários outros estados, como no Pará, Amazonas, Mato Grosso, Paraná e, especialmente, no Rio Grande do Sul.

 

No estado dos Pampas, governado pela tucana Yeda Crusius, armou-se um verdadeiro complô contra a Constituição brasileira:

 

"Um relatório secreto do Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul decreta guerra ao MST, prega dissolver o movimento a bem da ‘segurança nacional’ e define linhas de ataque ao movimento. A ata secreta de reunião no dia 3 de dezembro do ano passado revela que o Conselho constituiu uma força-tarefa para ‘promover uma ação civil pública com vistas à dissolução do MST e à declaração de sua ilegalidade’. A diretriz, que está sendo executada de forma articulada com a Justiça e a Brigada Militar, é a de acuar o movimento em várias frentes: proibir marchas e deslocamentos em massa dos sem terra; investigar os integrantes de acampamentos e dirigentes quanto ao uso de verbas públicas; intervir nas escolas do MST; impedir a presença de crianças e adolescentes nos acampamentos; nos assentamentos, comprovar desvios de finalidade da terra; promover investigação eleitoral ‘nas localidades em que se situam os acampamentos controlados pelo MST, examinando-se a existência de condutas tendentes ao desequilíbrio deliberado da situação eleitoral’; e atuar para cancelar os títulos de eleitor dos assentados".

 

"A decisão teria de ficar sob sigilo por 10 anos, mas veio a público quando foi anexada como prova de uma denúncia feita à Justiça pelo MPE contra acampados do MST em duas áreas cedidas por proprietários na proximidade da Fazenda Coqueiros - a inicial da ação esclarece que os promotores tomam essa iniciativa baseados na diretriz do Conselho. Também foi anexado um relatório do Serviço Secreto da Brigada Militar (PM2). A ofensiva do Ministério Público, a pronta anuência de juízes e uma rápida mobilização de efetivos da Brigada Militar montam o cenário de uma Guerra Fria particular: o MPE aciona a Justiça usando um discurso ideológico; o juiz decide em favor da preleção dos promotores; a Brigada Militar responde prontamente às ordens judiciais". (Maria Inês Nassif – redatora de OPINIÃO – com o título de "A Guerra Fria do MP gaúcho – VALOR, 26 de junho de 2008 - Obs.: os grifos são nossos).

 

Não podemos nos esquecer de movimentos políticos golpistas, em tempos não muito remotos, que levaram à implantação da ditadura militar no Brasil, instalando o império do terror conta o povo brasileiro. Aquele começou em Minas Gerais. Este se desenvolve no Rio Grande do Sul, com a conivência dos tucanos no seu governo.

 

É chegada a hora de dar um solene "basta!", a começar pelos partidos que se dizem ainda de esquerda. Sem dúvidas, ao PT cabe a maior responsabilidade porque governa o país. Mas cabe também aos demais - que vivem ocupando os espaços de TV para dizer ao povo que são mais democráticos que os outros.

 

Responsabilidade maior, sem dúvidas, cabe a todos os movimentos e entidades sociais, de modo especial à OAB, ABI, CNBB, CONIC, CUT e outras centrais. Ao próprio MST cabe a tarefa de rever sua estratégia diante do governo Lula, que não vem cumprindo suas promessas históricas (A reforma Agrária a gente resolve numa canetada), que até agora nada fez para realizá-la, tornando-se o maior responsável pelos desmandos que vêm sendo praticados no Brasil, principalmente a violência contra o conjunto dos trabalhadores.

 

Ou o movimento social reage como deve e pode, ou nova ditadura – ainda que sob disfarces – se instalará no país. Que o diga o RS.

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

 

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Comentários   

0 #2 Qual reaçãoFábio Luiz 30-06-2008 05:54
Penso que uma alternativa é denunciar congressistas que apoiam iniciativas que descaracterizam, ou melhor "satanizam" o Movimento dos Sem-Terra.
Outro dia em Brasília, enquanto aguardava um tema de interesse nacional, tive a oportunidade de assistir no Plenário da Câmara um grupo de deputados latifundiários que elogiavam uma figura que teria conseguido o perdão de 75 milhões em dívidas do agronegócio. Chegavam a "estufar o peito" para dizer que, deste valor, aproximadamente 10 milhões era da agricultura familiar... E os outros 65 milhões? Quem foram os beneficiários?
Enfim, o povo brasileiro está farto de legisladores que atuam em causa própria!
Concordo com o Senhor Waldemar Rossi de que é urgente a necessidade de chamar outros atores e movimentos a se unirem em defesa da democracia e contra qualquer indício de ditadura. Fábio - Assistente Social.
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0 #1 ABIN Monitora MSTRaymundo Araujo Filho 27-06-2008 16:57
Lulla e Yeda juntos na Criminalização do MST. Toda as iniciativas da ABIN, partem do gabinete do presidente, onde é lotada.

Abin monitora grupos sociais
Por Edson Luiz - Da equipe do Correio 25/06/2008 às 12:00

SETOR DE INTELIGÊNCIA
Para a agência, protestos como os que a Via Campesina deflagrou no início do mês devem ser constantes neste ano, por causa das eleições.

Desde abril, a área de informações do governo já tinha informações sobre os planos dos movimentos sociais de endurecerem suas ações. Entre as estratégias planejadas, estava a paralisação de atividades de empresas de setores estratégicos o que acabou ocorrendo ao longo deste mês, quando a Via Campesina lançou, em 10 de junho, uma jornada de lutas contra o modelo do agronegócio brasileiro, colocando na rua cerca de 5 mil pessoas, em protestos por 14 estados. Os principais alvos das manifestações e ocupações foram companhias como a Vale, Votorantim e Odebrecht. Na avaliação de analistas de inteligência, a situação tende a permanecer sem solução. Um dos motivos é o ano eleitoral, quando nenhum prefeito ou governador quer colocar suas polícias em confronto com manifestantes.

Em um primeiro momento, a preocupação do governo era apenas com ações que afetassem empresas como a Petrobras. Em seguida, as atenções se voltaram para instituições que lidam com informações estratégicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agrocupecuária (Embrapa), centro de referência da área na América Latina. Uma das preocupações é a destruição de pesquisas que levam anos para serem concretizadas, observa um analista da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Por último, o governo focou nas grandes indústrias e mineradoras, depois que sem-terras bloquearam a entrada da Vale, no Pará.

Repressão
A partir da jornada de lutas lançada pela Via Campesina, ficou claro para o governo que a estratégia dos movimentos sociais agora é apostar em várias ações ao mesmo tempo. O agente da Abin que conversou com o Correio diz que trabalha na avaliação sobre a situação, mas não vai muito além disso. Nós levantamos as informações e passamos para os setores de segurança dos estados, a quem cabe tomar alguma providência, explica o agente. As ações dos movimentos sociais também estão sendo acompanhadas pela Coordenação-Geral de Defesa Institucional (CGDI) da Polícia Federal, setor que monitora conflitos que podem surgir no país. Ao contrário da Abin, a PF pode atuar, desde que as manifestações sejam em instalações da União. Caso contrário, caberá às polícias estaduais qualquer tipo de repressão.

A tendência, segundo os analistas, é que o quadro não mude pelo menos até outubro, quando são realizadas as eleições municipais. Todo político, nesse período de campanha, não quer ver sua polícia reprimindo trabalhadores. Os próprios movimentos sabem e abusam disso, observa um delegado da PF ligado à área de controle de conflitos. Exemplo disso, segundo a área de inteligência, são justamente os protestos da Via Campesina. Nos 14 estados onde houve manifestações, apenas no Rio Grande do Sul a polícia entrou em confronto com os manifestantes. Nos demais locais, policiais acompanharam as ações de perto, mas sem atuar. Em nota, a Via Campesina afirmou que as ações deflagradas eram uma forma de expressão legítima em uma democracia.
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