Meta de inflação de 4,5%, de olho no pleito de 2010

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A informação mais importante da semana para a política brasileira não foi a pesquisa CNT/Sensus sobre a popularidade do presidente Lula, que mostrou a altíssima aprovação ao chefe da Nação, superior aos 60%, mas sim a definição, na terça-feira, da meta de inflação para 2009. O Conselho Monetário Nacional decidiu ficar ao lado do presidente e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e optou por 4,5%, contrariando o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que defendiam a meta de 4%.

 

Para entender o significado do debate, basta pensar que uma meta de inflação menor para 2009 certamente provocaria, em algum momento de 2008, uma parada ou diminuição no ritmo de queda da taxa de juros. Com a meta de 4,5%, o BC terá mais espaço para continuar baixando a Selic e, portanto, a economia tende a crescer mais, todas as demais variáveis permanecendo estáveis.

 

O ano de 2009 é crucial para a definição da eleição presidencial de 2010. É sobretudo com base no desempenho da economia do ano anterior que os eleitores julgam o governo e escolhem o seu candidato. Ao indicar a taxa de 4,5% de inflação para este ano, o presidente Lula sinaliza que pretende ver a economia brasileira com um crescimento mais robusto no final do seu mandato, para que isto o ajude a fazer o sucessor (ou se reeleger, se a legislação for modificada de forma a assim o permitir).

 

Congresso em baixa, presidente em alta

 

Sobre a pesquisa CNT/Sensus, o importante é, como dizem os jovens, “mais do mesmo”: Lula tem alta aprovação porque a economia vai bem e também em função de seu carisma. Nenhuma novidade, portanto.

 

Ademais, o episódio que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deslocou para o Congresso uma crise que se avizinhava do Planalto após as Operações Navalha e Xeque-Mate. É bom lembrar que, antes de Renan se enrolar com os pagamentos da pensão de Mônica Veloso, Silas Rondeau deixou o Ministério das Minas e Energia em função da Operação Navalha. O substituto até agora não foi nomeado e ninguém nem se lembra mais disto... Ou seja, quando a crise estava chegando no Executivo, uma nova confusão no Legislativo tirou a anterior do foco da mídia. Lula é mesmo um homem de sorte.

 

Luiz Antônio Magalhães é editor de política do DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br).

 

Blog do autor: www.blogentrelinhas.blogspot.com

 

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