A nossa condenação

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A condenação absurda, injusta e descabida de 23 manifestantes que lutaram contra os abusos da máfia/consórcio PTMDBista no estado do Rio, que tem dois de seus agentes fluminenses presos, por fatos estarrecedores (Cabral e Cunha), descortina o fato de que estamos todas e todos condenados(as).

Estamos condenados(as) ao silêncio, porque um dos objetivos desse sistema político podre, de sua aliança com um judiciário classista, além de racista, e com uma mídia que, até hoje, presta serviços aos coronéis de plantão (parabéns aos jornalistas pelegos) é calar não só os 23, mas os futuros manifestantes, também.

Estamos condenados(as) à mediocridade, porque se uma insurgência contra gângsteres é punida dessa maneira, restará o conformismo.

Estamos condenados(as) à perpetuação da pornográfica desigualdade, porque tudo que esses sistemas protegem, por meio de seus aparatos repressivos e seus prestadores de serviços (incluindo essa esquerda partidária hegemônica), é a elite que, há séculos, concentra as riquezas desse país.

Estamos condenados(as) à permanente apropriação do Estado para fins privados, uma vez que a saída – que é política – fica, de cara, interditada.

Estamos condenados(as) à violência concreta e simbólica, à manutenção das instituições de repressão sem qualquer mudança, aos extermínios, às prisões dos Rafaéis Bragas e ao aprisionamento de quem se opõe a esse cenário.

Portanto, não, não dá, a oposição a isso tem que ser diária, constante. O debate político que interessa é esse. Repita-se: não há saída na lama eleitoral em que os mesmíssimos atores chafurdam, para manter tudo como está.

“Vandalismo é crime”, lemos por aí. De fato, é. Os vândalos que detonaram e ainda detonam o estado do Rio e o país precisariam responder por tudo que fizeram/fazem: dos estádios superfaturados aos equipamentos abandonados; da Saúde sucateada (a máfia não deixou um hospital em pé), às escolas interditadas pela precariedade de condições, com seu calendário subordinado à agenda do tráfico e da polícia, conforme o tiroteio do dia; dos extermínios nas favelas e periferias à falta de saneamento, trabalho, transporte, moradia e condições básicas de vida; da brutal repressão aos protestos contra todos esses abusos à destruição das vidas de dezenas de jovens, acusados quando deveriam ser homenageados. Vandalismo é isso.

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Vera Rodrigues é psicóloga e psicanalista.

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