Correio da Cidadania

Ativista sofreu abuso sexual e teve casa pichada com sigla pró-Milei

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Militantes da HIJOS (Filhos e Filhas pela Identidade e Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio) denunciam o genocídio praticado pela ditadura militar (1976-1983) que levou à execução e desaparecimento de 30 mil oposicionistas na Argentina (Página12)


Após ter sua casa invadida na Argentina, uma ativista pelos direitos humanos foi espancada, abusada sexualmente e ameaçada de morte, denunciou o grupo HIJOS (Filhos e Filhas pela Identidade e Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio), que mantém viva a denúncia ao genocídio praticado pela ditadura militar (1976-1983) que levou à execução e desaparecimento de 30 mil oposicionistas no país sul-americano.

Circulando na Justiça argentina há alguns dias, a informação sobre o crime veio à tona na quinta-feira, 21, através de um comunicado oficial do grupo, que esclarecia que os dois autores do ataque a esperavam regressar do trabalho e a surraram, taparam a boca, vendaram seus olhos, e abusaram dela durante uma hora. Ao longo da sessão de tortura deixaram claro que tudo aquilo tinha um objetivo. No final, após lhe advertir sobre a proximidade da morte, deixaram uma pichação na parede com a sigla “VLLC” (Viva a Liberdade, Caralho), usada costumeiramente pelo presidente Javier Milei em suas mensagens.

Desde então, a jovem abandonou o local onde morava e buscou refugiou na família. Também largou o trabalho, saiu das redes sociais e não atende mais o telefone. A verdade, diz a ativista de HIJOS, que teve a sua identidade preservada, é que “hoje, em plena democracia, um governo eleito pelo povo permite o exercício do terror e da crueldade através de todos os canais à sua disposição”.

“Eu quero que a Justiça identifique os que me fizeram isso, porém também quero encontrar o aparato por trás disso”, declarou, frisando que considera ter sido um ataque à militância dos direitos humanos, poucos dias antes do golpe de 24 de março (o 31 de março brasileiro).

No seu depoimento a militante diz que sua “vida mudou muito, está totalmente suspensa no ar”. “Conseguiram isso, que é também terror e impunidade. O que acontece se eles me escreverem me ameaçando? Não tenho outra rede além da minha família e dos meus colegas, sou apenas uma trabalhadora. Não tenho nada a esconder, não manipulo informações de poder, só fizeram isso comigo por ser militante”, explicou.

Presidente negacionista chama vítimas de “merdas”

Questionado sobre o seu envolvimento, o presidente negacionista procurou distância do atentado e sem expressar qualquer solidariedade, partiu para o ataque à vítima. “É incrível que eles usem seus desaparecidos para operar contra o governo. Eles são mais merdas do que se pensa. O bom é que eles têm cada vez menos credibilidade”, vociferou Milei.

Encabeçada pelo deputado Germán Martínez, a bancada da União pela Pátria (UP) rechaçou o ato de violência e abuso contra a militante pelos direitos humanos. “Terrível notícia. Fazemos nossas cada palavra do comunicado de HIJOS. Abraçamos nossa companheira com muita força e exigimos uma ação rápida da Justiça. Há 48 anos do golpe e algumas horas antes do 24 de março, dizemos muito alto: nunca mais!”, enfatizou.

Deputado, ex-ministro do Interior e integrante da HIJOS, Wado de Pedro, reiterou que “o povo argentino já disse Nunca Mais!” e destacou que “com quatro décadas de democracia, a violência política é inaceitável”.

O governador da província [Estado] de Buenos Aires, Axel Kicillof, se somou às manifestações populares condenando as atrocidades cometidas. “Repudiamos este fato gravíssimo e exigimos o seu esclarecimento imediato. Não podemos permitir que o ódio e a violência política se instalem em nosso país. Não vamos parar de dizer: Nunca Mais, Memória, Verdade e Justiça, sempre”.

“Este ataque à vida da nossa colega é um ataque político motivado pelos seus direitos humanos e pelo seu ativismo feminista”, denunciou a HIJOS, frisando que dialoga com a recordação do novo aniversário do golpe de Estado de 1976, o primeiro no quadro de um governo antinacional que nega abertamente os crimes contra a humanidade contra o qual as organizações de direitos humanos – como a que integra a agredida -, organizações políticas, sindicais e sociais voltaram a dizer “Nunca mais” no último 24 de março.

Leonardo Wexell Severo é jornalista do Hora do Povo e do Coletivo ComunicaSul.

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