A solidariedade entre nós

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Você, leitora e leitor, que já não aguenta mais o pensamento único que impera nos grandes jornais diários, nas revistas semanais de notícias e nas emissoras de rádio e televisão, todos alinhados na defesa dos interesses do mercado; que já não confia mais nas notícias que vêm pela internet, muitas delas fakes; que se vê obrigado a selecionar as fontes de informação para ficar a par dos acontecimentos e evitar ser manipulado: este editorial é para você.

Passamos por um momento em que nossos esforços de comunicação no campo da defesa da democracia e da cidadania estão ameaçados e mesmo combatidos pelo governo atual. As fontes de financiamento público secaram. As empresas não se interessam em fortalecer este segmento do jornalismo crítico e, portanto, não anunciam. Passamos a enfrentar uma nova realidade, em que jornais e revistas, impressos e on-line, estão ameaçados de fechar ou estão fechando efetivamente. E com isso a única fonte de informação que restará para você será a grande imprensa escrita e televisiva.

Queremos expressar nossa solidariedade aos jornalistas de Carta Maior, Brasileiros, Caros Amigos, Brasil de Fato, Fórum, Carta Capital, Repórter Brasil, Nexo, agências Pública, Ponte e Pavio, Opera Mundi, Outras Palavras, Correio da Cidadania, The Intercept Brasil, Central 3, Mural – Agência de Jornalismo das Periferias, Alma Preta, Revista Vaidapé, entre outras publicações, e aos comunicadores e blogueiros independentes que estão enfrentando dificuldades.

Uma imprensa livre, independente, crítica, que traga elementos novos para ajudar você a formar sua opinião, precisa contar com o apoio dos cidadãos para sobreviver e oferecer ao público leituras plurais da realidade atual, abertura para a discussão de temas controversos, debate público e democrático sobre problemas, demandas sociais e políticas públicas, e os caminhos que o Brasil deve tomar.
A continuidade da existência desses órgãos de comunicação, que muitos chamam de alternativos, na verdade é indispensável para superarmos este momento autoritário e promotor da exclusão social.

O debate dos problemas e necessidades das maiorias é o que permite aos cidadãos e cidadãs defensores da democracia e dos direitos humanos reconhecerem como coletivos seus interesses comuns e se engajarem na construção de uma agenda de transformações sociais, necessárias para enfrentarmos as desigualdades sociais e toda sorte de discriminações que continuam a garantir a hegemonia de uma elite que se preocupa apenas em aumentar seus ganhos, mesmo sabendo que a concentração da renda leva à disseminação da pobreza, à violência e à exclusão de milhões de famílias brasileiras do mínimo necessário para viver.

O Le Monde Diplomatique Brasil se alinha a essa imprensa democrática e de defesa de direitos. Trazemos uma análise ímpar sobre o cenário internacional e queremos contribuir para alimentar o debate nacional sobre temas controversos, que não faltam hoje em dia, como os cortes nas políticas sociais, a sonegação de impostos por empresas, o projeto da escola sem partido, a “cura gay”, o genocídio dos jovens negros da periferia, a abertura das nossas áreas de reservas naturais para a exploração predatória de multinacionais, as discriminações sofridas pelas mulheres, a censura cultural, o desmonte do Estado, enfim, toda uma agenda que expressa as formas de dominação e opressão impostas à nossa sociedade.

Para continuar a prestar este serviço à sociedade brasileira, precisamos – todas as publicações deste campo político – do apoio de nossos leitores, nossa única fonte de financiamento. Compre nossas publicações nas bancas de jornal, faça assinaturas impressas e digitais, converse com os amigos, atue nas redes sociais em defesa desta causa. Não fique sem as informações e análises que permitem a você avaliar melhor o momento em que vivemos e participar do debate sobre as alternativas que se colocam para a defesa da cidadania e da democracia.


Silvio Caccia Bava é diretor do Le Monde Diplomatique Brasil e este artigo é o Editorial do mês de outubro do veículo.

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