Estados Unidos: perspectivas para 2019

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Como primeira potência, os Estados Unidos atraem sem hesitação a atenção da sociedade global. Sua postura baliza a dos demais países, haja vista o próprio caso do Brasil, desejoso de aproximação diplomática maior, como no tempo da Guerra Fria.

Com a extinção da semissecular disputa bipolar, o liberalismo econômico, até aquele momento irredento na esfera comunista, pôde fluir e açambarcar sem muita dificuldade o planeta – desconsiderem-se poucos e pequeninos países em quase duas centenas de membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

Depois de três décadas de predominância de livres mercados no Ocidente, eis que houve o questionamento do virtuosismo dos benefícios advindos de aberturas comerciais amplas. A origem da refutação surpreende, ao ser assinalada pelos norte-americanos, sob a presidência de um empresário republicano.  

Se limites territoriais elevam-se na pauta chancelar de Washington, a noção de nacionalidade volta à baila com vigor e, por conseguinte, traz consigo o resguardo fronteiriço e populacional, mesmo de maneira imperfeita. A economia cede à política a primazia, ao menos de modo temporário.

Em vez do ambiente de mesuras diplomáticas do governo estadunidense, presentes nas constantes mesas de negociações multilaterais, há a ascensão da desreverência militar, balizada no cenário da fixação da conservação de marcos físicos, ou seja, das lindes.   

Diante da perspectiva de contestação de benefícios integrais do progressivo desaparecimento de barreiras econômicas em todo o planeta, simbolizados na rubrica da globalização, Washington havia indicado o primeiro alvo de sua preocupação: Pequim, cujo crescimento já possibilita fraturas de monta no relacionamento bilateral.
 
Todavia, o outro centro de interesse da Casa Branca encaixa-se melhor na visão do neonacionalismo, ao referir-se mais a sociedades estrangeiras como ameaças, ainda que não de forma bélica imediata: os deslocamentos populacionais em larga escala.

Ao delinear a imigração ilegal como problema de segurança nacional, a saída só poderia ser a tradicional, isto é, a castrense. Deriva, pois, da posição bélica a recente obsessão presidencial da edificação da muralha dos Estados Unidos. Caso a barreira fosse efetivada totalmente, narcotraficantes e terroristas em potenciais seriam contidos de modo mais eficiente, alega a Casa Branca.

Com o custo avaliado em torno de cinco bilhões e meio de dólares, a administração pressiona o parlamento a aprovar a obra, rejeitada sem tibieza pela oposição – a ideia original de cercar ou até de murar o país provém de 2006.

Em função da peleja entre os dois poderes, parte do funcionalismo encontra-se entre a cruz e a caldeirinha, ao não poder trabalhar e, assim, não receber o salário – excluem-se disso militares, policiais e servidores de setores de emergência.

A medida dos democratas não deixa de ser retaliação aos republicanos por conta da dificuldade experimentada pela gestão Obama em seu segundo mandato, incapacitada de maneira parcial pela suspensão da aprovação do orçamento por posicionar-se a favor à época do programa de Paternidade Responsável/ Planejada e de políticas de saúde como a da Lei de Cuidado ao Paciente.    

Sem execução orçamentária rotineira, o segmento agrícola e o fazendário encontram-se suspensos de forma parcial, com prejuízo provisório a fazendeiros e contribuintes. Uma possível alternativa para o impasse seria modificar a natureza do projeto da muralha de policial para militar.

Desta sorte, a edificação seria questão de segurança nacional e o Congresso teria poucas condições de se opor à obra. Portanto, 2019 poderá significar a intensificação de posicionamentos mais nacionalistas pelos Estados Unidos, com a consequência de acarretar a países menos estruturados, como o Brasil mesmo, óbices no estabelecimento de parcerias em áreas como comércio, turismo, imigração etc.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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