Primeiras reflexões

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1- Sou oposição a Bolsonaro.

2 - Dito isso e sabendo que um dos maiores erros dos partidos e da mídia foi subestimá-lo na corrida eleitoral, não devemos cair no erro de subestimá-lo agora. Bolsonaro não é burro, como muitos comentam, e sua tosquice verbal e comportamental serve para um projeto de identificação popular.

3 - Nada é tão importante que não possa esperar ao menos 24 horas, ainda mais nesse momento. Nós, e boa parte da imprensa, caímos como patinhos na estratégia de Bolsonaro: ele lança o factoide, a mídia pesca, este é atacado em massa, para logo depois ser desmentido. Precisamos ficar atentos às declarações oficiais do futuro presidente e nos projetos que estão tramitando em Câmara e Senado desde já, para minimamente organizarmos uma oposição ao que virá.

4 - Bolsonaro marcou um gol de placa com a nomeação de Moro e tanto faz se isso descortinou o que muitos sinalizavam em relação ao caráter persecutório da Lava Jato. O mais importante é que a nomeação reforça o antipetismo vitorioso.

5 - Não acredito que existam tantos arrependidos entre os eleitores de Bolsonaro já nessa fase de transição. Parece mais uma marola restrita às bolhas da virtualidade. Deve chegar com alta popularidade na sua posse.

6 - Em relação à oposição, num primeiro momento, vamos depender dos partidos políticos para conter o avanço de medidas como a ampliação do escopo da lei antiterrorismo e Escola sem Partido, em tramitação na Câmara. A institucionalidade vai mostrar sua importância neste momento, e saberemos com quem poderemos contar, aqueles que só se importam em manter suas posições e aqueles a quem devemos combater.

7 - No lado de baixo, da sociedade, precisamos nos organizar. É uma constatação que não vem acompanhada de uma receita de bolo. Mas podemos aprender muito com os favelados, que não precisam de nossa “ajuda crítica” e podem sinalizar como resistir a uma repressão mortal, vide as cinco mortes de terça, 6 de novembro, na Maré. Que a gente consiga aprender a construir uma oposição em ambiente hostil é um desafio.

8 - As novas organizações se formarão em um deserto de possibilidades, tendo em vista que a derrota foi imensa e não adianta continuar como se não tivesse acontecido nada demais. É hora de reinvenção, de começar pequeno, contagiando, construindo novas possibilidades de mobilizar, engajar e participar politicamente. Isso não nasce de uma hora para outra, mas com encontros e diálogos entre pessoas e organizações que estão propensas a tal tarefa.

Existem grupos que embrionariamente já começam a ensaiar um movimento. Outros já estão estabelecidos e podem contribuir com sua experiência, mas é fundamental que exista abertura para a participação de pessoas que serão os novos atores na esfera pública.

Marcelo Castañeda é sociólogo e professor da UFRJ.

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