O falso profeta Jair Messias Bolsonaro

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Jair Messias Bolsonaro tornou-se o principal expoente do ativismo contra a voga do multiculturalismo e dos Direitos Humanos. Ardoroso crítico da laicidade do Estado, o aspirante a presidente da República almeja se transformar em autoridade absoluta, afirmando-se como possuidor de valores supremos: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”.

Mas, como a história mostra, o risco do totalitarismo é grande. Vale lembrar que este slogan da campanha imita os lemas nazistas: “Alemanha acima de tudo” (Deutschland über alles) e “Deus é conosco” (Gott mit uns).

Bolsonaro é responsável pela difusão de uma mentalidade fundamentalista e totalitária. Ele estimula a violência e o autoritarismo, porque promove discursos de ódio contra os supostos inimigos das famílias cristãs, isto é, comunistas, homossexuais, intelectuais e artistas. Ele considera ter o direito de impedir os outros brasileiros de cometer aquilo que ele considera “erro” e “pecado”.

Bolsonaro, seus filhos e aliados são vistos pelos eleitores como mitos, ou profetas, numa fusão artificial de fascismo italiano com nazismo alemão e revivalismo cristão. A despeito das diferenças que possa haver entre cada um deles, a similaridade entre os diversos discursos de ódio é evidente e intencional, pois são baseadas em táticas de propaganda, artimanhas psicológicas, padrões de comportamento e motivos condutores semelhantes.

Esses falsos profetas se autorretratam como pessoas comuns e “do bem”, mas usam técnicas manipuladoras e se aproveitam do descontentamento, dos medos e dos ressentimentos de parcelas da população brasileira, criando inimigos – com destaque para os membros do Partido dos Trabalhadores – que corporificam a “força do mal” que deve ser erradicada pelo movimento.

Mais do que a mudança das estruturas políticas, eles almejam a eliminação de pessoas – haja vista conhecida homenagem do ex-deputado ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Com a popularidade de Bolsonaro, e o crescimento da violência motivada por política, podemos constatar que, independentemente do resultado da eleição, o país poderá ser tragado pela corrente totalitária, pois a racionalidade fascista consiste muito mais no estabelecimento de um sistema onipotente de poder do que no respeito a algum tipo de doutrina ou governo estabelecido.

Em um país democrático e laico como o Brasil deve ser, é necessário o respeito comum às normas públicas, com pouca invasão da vida privada pelo Estado, que deve ser oficialmente neutro em relação às questões de foro íntimo. A ordem jurídica deve atender ao conjunto dos interesses da nacionalidade e não pode servir como instrumento de um grupo político ou religioso que deseja impor seus valores como verdade absoluta.

O candidato não tem o direito de agir como representante das forças armadas ou de poder eclesiástico. Como aspirante a presidente da República, ele deve deixar de lado o pensamento de que suas práticas religiosas se aplicam às funções políticas, passando a legislar pelo bem da nação. Que o Estado não intervenha em assuntos religiosos, e que as Igrejas não intervenham em questões do Estado. E que a política seja tratada como a construção de um futuro comum.

Em pleno século 21 nós não podemos aceitar o fascismo ou perseguições religiosas. A violência só se desencadeia quando uma das visões de mundo pretende ser a única e valer para todos. A pretensão metafísica de valores absolutos deve ser deixada de lado, em nome da paz e da democracia.

A razão e a fé não devem ter medo de entrar em um diálogo racional e contínuo para o bem da nossa sociedade. É melhor que as Forças Armadas afastem-se das eleições e que o cristianismo preserve a laicidade do Estado e faça aquilo que tem de melhor: o exercício da caridade e do amor ao próximo.

Vitor Cei é professor da Universidade Federal de Rondônia.

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