Os generais de Bolsonaro

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O artigo 142 da Constituição costuma ser utilizado pela extrema-direita para justificar a necessidade de um novo golpe militar.

Segundo o dispositivo, as Forças Armadas “destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

Durante a Constituinte, o PT ainda era um partido combativo e o deputado José Genoíno, idem. Ele apresentou uma emenda à redação do artigo, retirando a expressão "lei e ordem".

O receio do petista era muito justo. Afinal, que lei e ordem é essa que deve ser defendida pelas armas? Quem a perturbaria? Greves e manifestações?

Mas, chantageada pelos militares, a maioria dos constituintes manteve o texto original.

Mais de vinte anos depois, o PT era governo. Vieram as manifestações de 2013 e os petistas fizeram aprovar uma lei antiterrorista, reforçando o espírito do artigo 142.

Um pouco antes disso, em 2004, Lula enviara tropas ao Haiti. Era a exportação do Artigo 142 para um país cujo povo vem sendo massacrado há séculos.

Trinta anos depois da promulgação da Constituição, entre os generais que apoiam a candidatura fascista de Bolsonaro, estão Roberto Peternelli, Santos Cruz e Augusto Heleno. Todos eles chefiaram tropas brasileiras no Haiti.

Certamente, aprenderam muito com a repressão aos pretos e pobres do miserável país caribenho. Agora, parecem prontos para entrar em ação em solo pátrio. E, provavelmente, não continuariam reprimindo apenas os pretos e pobres locais.

Detalhe: em 2011, Genoíno foi condecorado pelas Forças Armadas com a Medalha da Vitória. Parece que trogloditas fardados também são capazes de cometer ironias.

Parabéns a todos os envolvidos!


Sergio Domingues é servidor público federal.
Blog: Pílulas Diárias.

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