O tortuoso caminho do PT nesse momento crucial

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Nos últimos dias o Brasil acompanhou o desfecho principal (mas não final) do embate entre o ex-presidente Lula e a Lava Jato. Deram-se audiências novelísticas e o assunto tomou conta das rodinhas mais comuns de conversas locais. Muito se falou, e ainda se fala, sobre o ator dessa história e pouco se comentou sobre o seu partido.

Como o PT pode se guiar nesse tortuoso caminho num momento tão crucial?
O canto da sereia aos ouvidos do Partido dos Trabalhadores, diante da força personalista do seu maior líder, é sedutor e eficaz: transforma a fraqueza de sua prisão numa torrente de apoio dos mais diferentes setores sociais.

Lula sabe disso e como bem destacou em seu discurso momentos antes de se entregar "(...) não se dão conta é de que quanto mais eles (a mídia) me atacam, mais cresce minha relação com o povo brasileiro". Visto a movimentação, não é de se negar tal afirmação. O problema é que o mesmo não se aplica ao partido que abriga tal figura.

Quanto mais atacam o PT, mais ele escancara suas fraquezas. Com uma representatividade que diminui em larga escala, vistos os resultados das últimas eleições - mesmo ocupando o cargo máximo do executivo -, não há retorno de forças às bases do partido e isso é preocupante. Ao menos se ainda almeja se colocar novamente no jogo político e, quem sabe, ser instrumento de transformação social no combalido Brasil.

O espectro do lulopetismo paira forte e não pode ser alvo total nesse instante. Um vácuo entre as forças de Lula e do PT deve ser encarado como desafio motor de (re)construção de sua atuação. Pautas deixadas de lado, frente às negociatas do poder, devem voltar e ser fortalecidas. Até porque serão, resta saber se a legenda fará parte de tal agenda.

Se não houver um cerne para as ações para além de Lula, corre-se o risco de vermos superadas as possibilidades de atuação do partido em longo prazo. Objetivo que as ações de demonização da sigla como única gestora dos males da política cumpriram bem. No combate a ela, usa-se demais a figura do seu líder. E aí mora um problema.

Ao mesmo tempo em que fortalece sua liderança, pode minguar sua refundação e penetração dentro da luta de base. No movimento do chão social, há descrença na força do PT em ser elo forte para os atuantes. Não deve haver monopolização de luta (erro que se cometeu demais no ativismo), mas uma abertura ao diálogo com novas demandas e formas de atuação.

Singela caricatura disto é a inabilidade, até hoje, do partido em entender as jornadas de 2013. É chegado o momento de tal limitação analítica ser superada. O PT precisa entender os novos rumos que podem existir e se colocar apto, se visar ainda ser protagonista, a abarcar uma gama maior de lutas e ideias, para assim superar a dependência do lulismo.

Davi Correia Santos é sociólogo e professor da rede pública de São Paulo.

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