Estados Unidos e Brasil: reeleição de Obama sem novidades

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Em 1º de março, o espalhafatoso presidente Donald Trump, do Partido Republicano, anunciou medida protecionista endereçada às indústrias de aço e de alumínio. A maneira de resguardar estes segmentos seria por meio de expressiva alteração da alíquota de importação, especialmente para a primeira.

Em momentos como este, observa-se a estima de Washington por seus parceiros tradicionais, entre os quais Brasília – um dos três maiores fornecedores ao lado de Ottawa e Seul. A atitude é desanimadora para o país, porque a economia não está bem.

Malgrado já quatro anos de crescimento residual ou de encolhimento, não há ânimo para um ritmo bem melhor em 2018. Nem sequer a política – tempo de eleição presidencial – consegue estimular de forma positiva a população para superar os efeitos adversos da crise.

Em janeiro de 2013, começo do seu segundo mandato, Barack Obama nomeou John Kerry, postulante democrata à Casa Branca em 2004 e senador de Massachusetts por quase três décadas, para o Departamento de Estado – sua antecessora ministerial, Hillary Clinton, senadora de Nova York por oito anos, aspiraria à candidatura do mesmo partido em 2016, embora sem sucesso ao confrontar-se com Trump.

Ao longo da primeira gestão presidencial, o dirigente visitou o Brasil apenas uma vez, em 2011. Sua presença teria retribuição de Dilma Rousseff no ano seguinte. A expectativa pátria quanto ao posicionamento norte-americano em seu relacionamento com o país não era enorme: seria a manutenção dos laços, sem seu aprofundamento.  

Destarte, Brasília, mesmo em decorrência do porte continental, teria status similar ao do México, ou seja, de segundo plano. Colômbia atraía a atenção dos Estados Unidos por razões de segurança, haja vista a necessidade de contenção das guerrilhas.

Enquanto o Planalto preferiria temas políticos, como o do esperado assento perpétuo no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CS/ONU) em hipotética reforma do organismo, a Casa Branca optaria por concentrar-se em tópicos econômicos:

De maneira geral, energia seria um campo, como o desejo brasileiro de exportar biocombustível, ainda que na prática isso já não fosse possível em face da combinação do preço do etanol e do aumento da produção estadunidense.

Ademais, havia a continuidade da disputa do algodão: o auxílio do governo norte-americano aos produtores locais.

De todo modo, Brasília não era alvo da antipatia de Washington como Caracas, porém o desempenho da diplomacia nacional, ao lado da turca, concernente ao programa nuclear de Teerã ecoava e incomodava parte do Departamento de Estado.  

Isso não impedia, todavia, os Estados Unidos de tentarem facilitar o ingresso de turistas do Brasil. Afinal, eram considerados bons consumidores se comparados aos europeus ou japoneses. Por outro, o número de consulados seria insuficiente por conta da demanda pátria – Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nos dias de hoje, o aço brasileiro destina-se a segmentos como o automotivo ou petrolífero. Implementada de forma efetiva a decisão de Donald Trump, isso irá reduzir-se. Por coincidência, era do sindicato de um destes setores, o United Automobile Workers (UAW), a homenagem em fevereiro de 2013 a Lula da Silva. Na ocasião, o ex-presidente afirmou que a conta da crise não podia ser dos trabalhadores, embora isso dificilmente seja observado – http://solidweb.uaw.org/sites/preview/index.cfm?action=article&articleID=5945ee2e-77ea-4ae1-837d-c2f108869166.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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