EUA e Brasil: sem preocupação com o Cone Sul na eleição presidencial de 2012

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Novembro de 2018 assistirá aos chamados pleitos do meio do mandato, período em que há a calibragem interna de poder entre as duas principais agremiações estadunidenses. É o momento de chancela da administração presidencial, hoje republicana, sob a polêmica condução do irascível Donald Trump.

Em um terço dos assentos do Senado existirá a renovação ao passo que a da Câmara abrangerá todas as 435 vagas. Em alguns municípios, haverá disputa também, como em Washington. Atualmente, a situação desfruta de 51 das 100 cadeiras senatoriais e 239 das 435 camerais.

Contudo, a impopularidade do controvertido dirigente poderá proporcionar à oposição ascensão parlamentar, haja vista o índice de descontentamento do titular da Casa Branca situar-se na faixa dos 60%.       

Em novembro de 2012, aconteceu outro tipo de eleição nos Estados Unidos: no caso, a presidencial, em sendo ela a disputa mais acompanhada de todo o planeta. Pelo Partido Republicano, oposição na época, o conservador Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts; pelo Democrata, Barack Obama.

Em pesquisa do Washington Post/ABC do final de agosto daquele ano, havia, entre os eleitores alistados, empate técnico entre os dois postulantes – 47% das intenções de voto para o candidato desafiante e 46% para o presidente.

Apesar da pequena diferença desfavorável, Obama tinha metade do eleitorado aprovando sua administração – quatro pontos superiores aos dos insatisfeitos. No entanto, mesmo a gestão sendo considerada em termos gerais positiva, não agradava a população o desempenho na economia – apenas 44% estimavam-na razoável contra 54% - https://www.washingtonpost.com/politics/polling/romney-edges-obama-economy-overall-race/2012/08/27/698d6e70-effc-11e1-b74c-84ed55e0300b_page.html      

A preocupação costumeira da política externa estadunidense relaciona-se com a vasta Ásia em decorrência de dois tópicos fundamentais: o energético, logo conectado com o turbulento Oriente Médio, e o ideológico, por conseguinte atrelado à neomercantilista China e à comunista Coreia do Norte. Ademais, o radar norte-americano identifica Rússia e Índia como países inquietos, seja por aspirações territoriais ou marítimas, seja por serem potências nucleares.

Com o ‘antigo continente’ pacificado, ainda mais em face da composição da extensa União Europeia, a atenção da diplomacia washingtoniana volta-se de quando em quando para a América do Sul, com adjacências, e África, ou seja, em que há agitações, com exceção tradicional de Cuba, alvo constante de interesse.

Deste modo, o certame pela Casa Branca não abarcaria de forma prioritária o Cone Sul, por não considerá-lo preocupante no tocante à segurança – terrorismo - ou economia regional. Portanto, a relação cotidiana poderia ser feita através de programas regulares de cooperação em energia, meio ambiente, combate ao tráfico etc.

Naquela fase, a atenção imediata dos republicanos destinava-se à irrequieta Venezuela, porém enfraquecida em função da variação de preço do petróleo. Diferente de Hugo Chávez, Lula da Silva ou Dilma Rousseff nunca afrontou George Bush ou Barack Obama quanto ao exercício de poder em solo sul-americano.

Diante disso, divergia-se a partir de Washington sobre a posição de Brasília perante Caracas: à oposição reacionária, o trabalhismo pátrio encolhia-se perante a movimentação diplomática bolivariana; à situação, ao contrário, ele a conteria.

De toda sorte, o brilho era venezuelano, não brasileiro. Mesmo assim, o Planalto não conseguia extrair da Casa Branca benefício – econômico ou político - substantivo algum.

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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