O que nos resta depois dos fogos?

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No final de cada ano, surge repentinamente um clima de aparente bondade entre as pessoas, troca de presentes, de afeto, todos desejosos de novas conquistas, realizações, empreendimentos no novo período cronológico que surge. Essa atmosfera tem seu lado positivo e pode ser boa, mas sua manifestação no mais das vezes é explicitada por um sentimentalismo barato e de curta duração que não é observado no resto do ano.
         
Torna-se, nesse tempo, o consumismo bastante aflorado, devido à quase obrigação de presentear familiares e amigos. Muitas dívidas parceladas em cartão de crédito, e os que podem, na mesa, muita fartura. É perceptível que para alguns que endeusam o próprio corpo a ceia natalina e de ano novo são um peso, uma tortura, mas logo depois que passarem o projeto corpo divinizado e cérebro vazio volta a lotar as academias.
         
Em meio a isso, festas e mais festas monumentais. Milhões de pessoas acorrem para uma diversão que dura poucas horas, e que tem seu auge na queima de fogos, cada vez mais duradoura (ainda que em minutos).
 
Enquanto isso, não muito longe de onde acontecem tais espetáculos, serviços públicos básicos que deveriam ser prestados eficazmente são negligenciados.
        
No entanto, a multidão de pessoas que muitas vezes padece dos problemas de tal negligência marca presença nas festas gigantescas.

Diante disso, emerge uma questão: o que nos resta depois dos fogos? É preciso colocar o pé no chão da realidade presente, de modo que não aconteça um mascaramento ou sufocação desta em relação à encenação de um curto espaço de tempo.  

Uma alienação, no sentido de tirar da realidade e conduzir para um mundo distante que se encarna na eminente devastação cultural, parece que toma conta da atmosfera geral. Infelizmente, o rebanho dessa curtição parece não estar preocupado ou não ter consciência da gravidade política e social na qual o país se encontra.  

Longe da ilusão e do devaneio de um ano novo repleto de maravilhas, de um paraíso que só existe no imaginário que termina juntamente com a virada do ano, os fatos constatam o contrário. Ano de eleições, de continuidade governista, de manutenção de um tempo sombrio para a vulnerabilidade social.

Não muda muita coisa. Talvez possa ser menos pior que 2017, ou não. O pessimismo guardamos para dias melhores, já a realidade nos acompanha sempre.


Felipe Augusto Ferreira Feijão é estudante de Filosofia da UFC.

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