Universidade, PF, mensalidades e estratégia

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As ações perante a universidade têm tirado nosso sono. De um lado, medidas abusivas de criminalização a reitores e gestores em geral. Por outro, discursos insistentes sobre o excesso de gastos e a necessidade de cobrar mensalidades. Isso leva muita gente a enxergar uma ofensiva articulada por trás dessas ações, cujo objetivo final seria privatizar a universidade pública. Já ouvi até que se trata de uma ação coordenada de empresas estrangeiras que querem comprar nossas universidades.

Discordo dessa interpretação. Entender melhor as razões do que vem acontecendo pode ser uma arma poderosa para traçar estratégias que deem resultados.

Hipóteses unificadoras supõem grande articulação entre diferentes forças políticas. Mas é precisamente o que não está existindo. Não há uma central de inteligência por trás de tudo. Ao contrário. A crise do sistema político faz com que cada ator possa agir como bem entende, justamente pela ausência de mediações.

A PF e o MP querem defender seu ponto de que todo mundo é corrupto – “vocês aí na universidade que vivem denunciando as ações de combate à corrupção, são corruptos também”. A estratégia desse bloco não funciona sem exposição midiática, desde o início, por isso usam e abusam da condução coercitiva. Gera mídia e gera reação, portanto, mais mídia. Desmoraliza a universidade e os intelectuais que têm analisado a conjuntura, muitas vezes divulgando teses que contrariam as operações de combate à corrupção.

A questão das mensalidades é proposta por outras forças. Não por empresas que querem privatizar a universidade. São forças que podem manter a universidade pública, mas acabar com a gratuidade para instituir mensalidades pagas a crédito. É o governo da dívida operando. Transfere-se aos indivíduos a responsabilidade do Estado pelo financiamento da educação superior e essas pessoas terão que se endividar para garantir seus estudos – modelo que já mostrou toda a sua perversidade nos EUA.

Como são forças distintas vai dar mais trabalho resistir. E estratégias eficazes serão mais úteis do que palavras de ordem.

Leia também:

Banco Mundial: ajuste regressivo e antidemocrático - por Roberto Leher, reitor da UFRJ

Tatiana Roque é filósofa e professora da UFRJ.

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