Brasil-Estados Unidos: limites da atuação externa

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Chega-se aos dias finais de 2017 com perspectiva pessimista concernente à política, porque inexiste no horizonte facho progressista de fato viável no Brasil em 2018. O neoliberalismo mais incisivo no máximo submergiu durante o trabalhismo dos dois últimos mandatos, ao alojar-se de modo cômodo na vice-presidência peemedebista.

Alçada esta ao primeiro plano no ano passado, vieram à tona sem embaraço outras diretrizes antipopulares – apesar do significado da sigla, a socialdemocracia local aderiu a elas de maneira arrebatada.

Resignado, o petismo conforma-se em orbitar ao redor do lulismo assim como o pessolismo, à espera injustificada da manifestação judicial a emanar-se do sul em breve, a fim de decidir se lançará candidatura própria.

Sem preocupação direta com o sociodesenvolvimento, haja vista atribuir-se sua condução ocasional ao mercado, o governo federal, embora desgastado, implementa a pauta de desagrado dos trabalhadores, sob surpreendente signo da apatia por não terem talvez referência partidária confiável. Nesse sentido, a política externa permanece secundária por limitar-se quanto à ação em benefício da sociedade pátria.

Em abril de 2012, conhecia-se o perímetro restrito da atuação da chancelaria, ou melhor, o interesse recolhido do Planalto. A presidente Dilma Rousseff tinha pouco a tratar com seu correspondente, Barack Obama, a não ser questões de menor porte, se considerado o potencial da economia brasileira.

Naquela altura, a infatigável Pequim havia substituído recentemente Washington como primeiro parceiro comercial, ainda que houvesse traços marcantes a favor deste – os norte-americanos consumiam os manufaturados nacionais em escala bem maior que os chineses, ávidos por produtos agrícolas e minerais.   

Em decorrência do peso de ambos em seus respectivos continentes, o estreitamento dos laços amero-brasileiros seria imperativo, em especial na economia. Se planejamento de longo prazo houvesse, o Brasil poderia até beneficiar-se do crescimento dos Estados Unidos, à proporção que este teve da Grã-Bretanha no correr da primeira revolução industrial.

Conquanto a Casa Branca demonstrasse insatisfação com o posicionamento do Planalto sobre as sucessões governamentais na Líbia e na Síria – apoiada a ditadura desta, mesmo de modo velado naquela fase, pela Rússia e China - elas não afetavam interesses imediatos nacionais.

Incomodava ainda o Departamento de Estado a posição do Itamaraty sobre o programa nuclear do Irã e a correta tentativa de intermediação, ao lado da Turquia, em 2010. De toda sorte, nenhum dos tópicos iria atrapalhar a relação bilateral cotidiana.  

Como mencionado em texto anterior, a mandatária abordaria de forma genérica a educação superior, via o programa Ciência sem Fronteiras e a ampliação do processo de patenteamento, e o comércio agrícola:

No caso, seria o reconhecimento da cachaça em troca da aceitação da singularidade do uísque de milho como o Tennessee e o celebrado Bourbon, de Kentucky. De toda maneira, a exportação do produto pátrio – até então, rum brasileiro - era diminuta para o território estadunidense. Nesse sentido, pouco a celebrar para a população.  

Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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