Honduras: Guerra e Paz na UNAH

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O artigo 19 da Carta Universal dos Direitos Humanos defende que todo indivíduo tem o direito a liberdade de opinião e de expressão.

Este direito inclui o de não ser ferido ou incomodado por conta das suas opiniões, o de pesquisar e receber informações e opiniões, e difundi-las sem limitação de fronteiras, por qualquer meio de expressão disponível.

Diante desse contexto universal do direito, o trabalho jornalístico que tenho feito nos últimos 15 anos de exercício de tão nobre ofício tem irritado a um setor que estranhamente promove a academia, e deveria promover, em tese, a universalidade do pensamento.

Sim, efetivamente descrevo a Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH), cuja hierarquia burocrática do poder não tolera a crítica construtiva e atua segundo os alinhamentos do jurista, publicitário e filosofo jurídico alemão Carl Schmitt, que funcionou como assessor do líder nazista Adolf Hitler.

Seu forte compromisso com o regime de Hitler conduziu ao que foi chamado de “Kronjurist” do Terceiro Reich, segundo descrevem publicações históricas desta terrível etapa da história que colocou em perigo boa parte da raça humana.

E uma mentira publicada reiteradas vezes até ser transformada em verdade é um fim nazi que prevalece àqueles que assessoram as altas esferas do governo universitário da UNAH.

Um minúsculo grupo de imprensa presta serviço a estas altas esferas universitárias. Motivados por compromissos econômicos para denegrirem a qualquer um que interrompa ações autoritárias vindas da cúpula do governo universitário.

Estes pseudojornalistas põem em prática seu lado obscuro e desumano, reproduzindo a indignidade e o ódio contra os que honestamente e com dignidade estão a denunciar internacionalmente as violações de direitos humanos que circunscrevem a UNAH. Violações estas que a tornam em um centro onde estudantes têm suas vidas em constante situação vulnerável.

No meu caso, como jornalista e correspondente internacional, fui vítima de tortura, maus tratos, roubo e perseguição judicial – e agora sou vítima de calúnias e difamações, desde que em 24 de maio de 2017 realizei cobertura jornalística de um ato de protesto na UNAH e quase perdi minha vida pelas ações já descritas.

Isto se deve em grande parte ao fato que meu trabalho como jornalista internacional faz eco do que ocorre neste momento turbulento na Máxima Casa de Estudos de Honduras.

Por tal motivo, uma página pirata da internet, que supostamente diz ser da UNAH, utilizou meu nome e imagens minhas para me caluniar e difamar, colocando em prática o manual nazi de Carl Schmitt, cuja práxis deixou um monumental saldo de assassinatos e pessoas mutiladas.

Não me parece estranho que a covardia e a ignorância de um reduzido setor da “imprensa” a serviço do regime autoritário na UNAH tenha se prestado a seguir esta ação, para atacar meu trabalho jornalístico, fazendo uso da difamação e da calúnia como métodos de ataque – o que expõe sua condição de delinquentes jornalísticos, posto que a tarifa paga pela venda de sua dignidade truncou as sobras de sua humanidade e amor ao próximo.

Os direitos humanos em Honduras, especificamente dentro da UNAH, estão mortos – e os métodos de perseguição e desprestígio diante de um ser humano são o tipo de trabalho que estes setores primam em fazer.

Esta guerra midiática e perseguição sistematizada com fins de derrubar os que lutam contra a tirania que rege a Alma Mater hondurenha foi encaminhada em um contexto profissional da comunicação, para alentar os precursoras ignorantes desta guerra. Contra os que se orientam com paz, domínio próprio da razão e respeito ao próximo, buscando que a democracia seja novamente o resplendor de exemplo da UNAH para com Honduras.

A guerra e paz universitária em tempos de repressão deve iniciar o arado fértil para que a paz volte a primar e as práticas de desprestígio, calúnia e difamação contra os que têm pensamento crítico e respeitoso com a vida consigam uma convivência conforme exige uma nação civilizada.

Na lógica humana, a guerra deve acabar e a paz, como símbolo de harmonia, tem de retornar à UNAH.

Denuncio publicamente diante da imprensa nacional internacional a condição de perseguição que estou atravessando nestes instantes, tais como perseguição nas ruas por veículos estranhos, intervenções em meu telefone celular, acusações judiciais e, recentemente, a publicação de uma série de fotografias que efetuou a tal página pirata que diz ser porta-voz e parte da UNAH, onde asseguram que sou o líder do Movimento Estudantil Universitário (MEU), fato que é totalmente falso, assim como as demais calúnias e difamações contra a minha pessoa.

As mesmas fotografias e falsa informação também foram retransmitidas por este pequeno grupo de “jornalistas” em grupos e redes sociais de comunicação, pelo que inconscientemente é produto de sua ignorância e colocaram minha vida e a da minha família em ainda mais risco.

Perdoo e compreendo o agir destes seres malignos, vítimas da mais fútil persuasão que o dinheiro pode produzir em forma de suborno e porque minha dignidade e coragem jornalística sobre a maldade destes setores, a quem com todo gosto lhes serviria, se transformam em vítimas dos efeitos colaterais que uma guerra não declarada produz em Honduras.

Inscrevo-me diante dos organismos internacionais de direitos humanos presentes em Honduras, assim como na representação do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, organismos não governamentais que promovam a paz e o respeito à vida mediante a defesa dos direitos humanos e, por fim, ao Comissariado Nacional de Direitos Humanos em Honduras (CONADEH).


Qualquer atentado ou ameaça para o autor deste artigo é de responsabilidade daqueles que representam e governam o Estado de Honduras e/ou os que são mencionados no presente artigo.

Leia os trabalhos recentes deste autor e entenda a crise da UNAH:

Honduras: jornalista torturado pede auxílio e solidariedade internacionais

A Universidade Nacional “Penitenciária” de Honduras

A maldade mater universitária em Honduras


Ronnie Huete Salgado, hondurenho, é jornalista e defensor dos direitos humanos. É correspondente internacional do Correio da Cidadania e de outros veículos brasileiros, argentinos, espanhóis e mexicanos.
Traduzido por Raphael Sanz, para o Correio da Cidadania.

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