Brasil – Estados Unidos: olhares esperançosos para a energia

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Após a viagem de retorno de Barack Obama do Brasil, a avaliação da presidente Dilma Rousseff sobre a visita do mandatário do norte foi a de frustração. Embora não tenha havido atrito político, não houve, por outro lado, incremento econômico diversificado, mesmo se vislumbrado o médio prazo.

No segundo semestre de 2011, ao deslocar-se para Lima, em encontro da União Sul-Americana de Nações (UNASUL), ela se queixou perante os nove membros da postura de Washington e de Bruxelas (União Europeia) concernente ao tratamento dispendido a suas respectivas economias. Em função disso, o planeta encontrar-se-ia sem condições de superar os problemas advindos da grave aflição de 2008.

Angustiava-se a dirigente com a chegada de capitais norte-atlânticos em busca de rendimentos superiores aos de sua própria extensão geográfica. A depender da quantidade dele em solo sul-americano, poderia haver consequências deletérias para a região como a valorização excessiva das moedas. O desdobramento seria negativo, por não favorecer o desempenho internacional dos produtos fabricados localmente.    

Na época, havia uma lide entre a Casa Branca e o Congresso sobre o limite de endividamento da União – abaixo ou acima de quinze trilhões de dólares. Ao cabo, a dívida poderia situar-se além. Todavia, o país seria apenado pelas agências de avaliação sobre o status de seus títulos públicos.

O risco de eventual calote, a despeito de ser remotíssimo, seria reconhecido, embora as apólices estadunidenses continuassem a ser as mais negociadas do globo – valores superiores a quinhentos bilhões de dólares por dia.

Todavia, o custo da captação elevar-se-ia para o governo norte-americano. Destarte, mais recursos aos rentistas e menos à população, prejudicada, por exemplo, nos setores da saúde e da educação.     

Na área diplomática, os dois chanceleres – Antonio Patriota e Hillary Clinton - subscreveriam com seis colegas a Aliança para (sic) os Governos Abertos, medida de compartilhamento de iniciativas de combate à corrupção cujo raio se estenderia de forma gradativa aos membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela havia sido concertada pelos dois presidentes quando da vinda de Barack Obama ao Brasil.

Depois de seis meses de gestão, inquietava-se Rousseff com a necessidade de marca inicial do mandato à opinião pública, com o propósito de diferenciar-se do padrinho Lula da Silva. Nesse sentido, se ele era observado como conciliador ou mediador, ela poderia ser gerente ou gestora – preferência equivocada da primazia da tecnocracia sobre a ideologia.

Pacificada, ou antes acalmada, a política pátria durante a administração do predecessor, ao ser aprovado em sua saída por alto índice popular, deveria ela desenvolver a economia, fraquejada pelos efeitos da crise global de 2008.
 
Preocupava ao país o crescente déficit com os Estados Unidos, acima de 7,5 bilhões de dólares em 2010. A relação desigual decorria da grande valorização do real. Em decorrência disso, a exportação de produtos industrializados ou mesmo agrícolas ficava prejudicada.

Consolava-se o Planalto com a possibilidade de investimentos norte-americanos voltados para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas. De maneira contínua, havia a perspectiva de parceria energética, através do Diálogo Estratégico de Energia Estados Unidos-Brasil.

O etanol poderia proporcionar a Washington a diversificação de fornecedores ao tempo em que seria menos poluente se comparado à gasolina. Ademais, a tarifa alfandegária desfavorável à produção nacional seria extinta em dezembro de 2011. Como consequência, 2012 e 2013 seriam bons anos para o Brasil, porém os dois seguintes, não (ver aqui).

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Virgílio Arraes

Doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

Virgílio Arraes

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