Quantas vezes irão tentar matar Getúlio?

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Getúlio foi assassinado em 24 de agosto de 1954. Quem puxou o gatilho que lhe varou o coração foram seres abjetos, como Carlos Lacerda, os componentes da república do Galeão, além das aves de rapina denunciadas pelo próprio Getúlio em sua carta testamento. Todos tinham o dedo no gatilho do revolver assassino. Vira e mexe, ouvimos as investidas da elite excludente em busca de aumentar seus lucros com a pauperização dos indefesos. Estes que tinham em Getúlio seu defensor incondicional.

Quando Fidel Castro morreu, o jurista José Paulo Cavalcanti Filho escreveu um texto dizendo, basicamente, que existiram dois Fideis, sendo o primeiro aquele que libertou o povo cubano do déspota Fulgencio Batista, trouxe muitos benefícios para este povo e era companheiro de Che Guevara. O segundo Fidel, dito de forma sumária, foi o ditador.

O escritor acrescentou: “qual dos dois Fideis vai sobreviver? Eis a questão. É cedo para saber. Hitler recuperou uma Alemanha despedaçada; mas ficou, apenas, como um assassino frio de judeus. Enquanto Getúlio Vargas, que ascendeu ao poder numa espiral autoritária, permaneceu pelos compromissos com os trabalhadores. E por ser responsável pelas bases econômicas de um Brasil moderno”.

Resta saber também quem os “vencedores”, os que contam a história, querem que a lembrança perdure ou desapareça. Muitas vezes, o culto à memória de um morto é incomodo para a elite dominante sob o ponto de vista político. Portanto, os que se sentem mal com o culto tratam de matar o morto, o que seria sua segunda morte.

Como herói do nosso povo, Getúlio tem sido trazido do túmulo, frequentemente, ou para salvar a sociedade brasileira ou ser considerado culpado pelas mazelas que nos afligem. Na década de 90, falava-se até em “sepultar a era Vargas”.

Hoje, com a tranquilidade de quem é dono da mídia tradicional e, assim, pode transformar mentira em verdade, desmerecem a obra social de Getúlio para afastá-lo da memória coletiva como o “pai dos pobres”. Ou seja, dedos apressados, querendo ganhar notoriedade, buscam também puxar o gatilho para, agora, matar o legado de Getúlio. Chega-se a dizer absurdos como: “a CLT não está atualizada e não beneficia o trabalhador porque proíbe mais contratações”. Ou seja, o desemprego não é causado pela recessão imposta, mas graças à CLT.

Em Filosofia, fala-se das duas mortes de um homem. A primeira é a tão temida por todos e a segunda ocorre quando seu legado é esquecido. A mitologia grega descreve o dilema de Aquiles, que poderia morrer jovem e ser lembrado por séculos pelos seus atos heroicos ou morrer de velhice com a família, porém desconhecido.

O plano para a chegada ao poder dos inimigos do povo inclui, objetivando o sucesso do intento, o compartilhamento do poder com outros grupos. No caso atual, o Congresso está compartilhando o poder com o Judiciário, a mídia, a elite econômica e, provavelmente, com certo país estrangeiro. Uma trama desta magnitude tem grande chance de enganar o povo, a ponto de ele vir a escolher caminhos que lhe são prejudiciais. O triste povo precisa desenvolver defesas contra este plano maquiavélico de poder. O maior e primordial passo deve ser buscar acesso a fontes de informações fidedignas.

Sobre o ato de se fazer justiça, principalmente, levando em consideração o princípio da presunção da inocência, é sugerido que o filme “Doze homens e uma sentença” seja assistido. O espectador verá que o juiz Moro não parece em nada com o jurado representado pelo ator Henry Fonda. Principalmente, por este não ter ódio ao suposto criminoso, nem compromisso com ninguém para condená-lo.

Tenho esperança de que não conseguirão assassinar, de novo, Getúlio, através de acusações a seu legado pela mídia tendenciosa, sem possibilidade de contraponto e sem racionalidade social! Getúlio, em sua segunda carta testamento, a que foi manuscrita e é pouco conhecida, diz profeticamente: “A resposta do povo virá mais tarde ..." Podendo ser acrescentado: “Getúlio vive e viverá para sempre entre nós”.

Paulo Metri

Conselheiro do Clube de Engenharia

Paulo Metri

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