“O dinheiro deve servir, e não governar!”

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Esta é uma exclamação presente na visualização de alguns desafios do mundo atual, expostos pelo Papa Francisco na Encíclica Evangelii Gaudium de 2013. O dinheiro é um meio (não um fim), quando o meio deixa de ser o que é para se tornar fim (que é governar), algo caminha de forma inversa.  
 
O Papa escreveu uma carta que merece atenção dos jovens brasileiros por ocasião do encerramento do Rota 300, que ocorreu em Aparecida (SP). Esse evento comemora os 300 anos do encontro da imagem de Aparecida, no rio Paraíba do Sul.
        
A celebração dos três séculos transcorridos do encontro da imagem denota o tema da imagem de Aparecida, que possui diversas vertentes que podem ser abordadas, mas não aqui, de um ponto de vista religioso e social, dado o contexto escravagista no qual vivia o país.
         
Duas afirmações podem ser destacadas da mensagem do Papa aos jovens: “Não tenham medo de lutar contra a corrupção e não se deixem seduzir por ela!”.

É possível fazer uma relação entre essa afirmação e a atual situação de corrupção na qual estão inseridos vários países, condição tratada por Francisco na encíclica Evangelii Gaudium, 60: “os mecanismos da economia atual... torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos veem crescer este câncer social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes”.
         
Infelizmente, a idolatria do dinheiro se enraíza cada vez mais em projetos de governo que não dialogam com as necessidades populares, mas que atendem pautas que apontam para o retrocesso. O que acontece agora no Brasil serve de exemplo bastante oportuno. Um Estado que delibera reformas que parecem atender o interesse do “mercado divinizado” como fala o Papa em Evangelii Gaudium, 56, não está preocupado com a efetivação de direitos básicos.  
         
A segunda afirmativa relevante da carta: “vocês são a esperança do Brasil e do mundo. E a novidade, da qual vocês são portadores, já começa a construir-se hoje”. Essa afirmação dialoga abertamente com o parágrafo 108 da citada encíclica: “Os jovens chamam-nos a despertar e a aumentar a esperança, porque trazem consigo as novas tendências da humanidade e abrem-nos ao futuro, de modo que não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fonte de vida no mundo atual”.
         
De fato, a corrupção que gera morte não pode ser fonte de vida. Sem dúvida, quando se deposita esperança em algo é porque se acredita numa nova realidade possível.

O sofrimento, o padecimento, a angústia, a aflição, o estado de alerta em função da gritante violência, o abandono em que se encontra grande parte da população em decorrência da falta de oferta de serviços necessários que constituem a dignidade humana, são fruto do desinteresse com o público e do interesse de promoção daquilo que se torna de poucos.
         
A novidade que se pode oferecer é uma retomada ética no agir humano em seu sentido mais profundo, que se despreza generosamente e se desconhece.
 
Felipe Augusto Ferreira Feijão é estudante de Filosofia da UFC.

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