Eu, a cadeira presidencial

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Ando muito fria nos últimos tempos. Ninguém me esquenta. Havia uma senhora sentada sobre mim. Recordo que ela se levantou, abrupta, ao receber a carta na qual seu vice se queixava de ser uma figura decorativa. E, súbito, a senhora sumiu...
       
Veio então o decorativo senhor e me ocupou. Mas ainda não esquentou assento. Prefere atender a turma do beija-mão fora de mim. Já a do beija-bolso, nos porões do Palácio Jaburu.
       
Agora me sinto reduzida ao jogo infantil do senta-levanta. Em poucos dias, três bundas diferentes desabaram sobre mim. Já nem sei quem governa o Brasil. O piloto sumiu! A rotatividade presidencial anda acelerada.
       
Só me resta ficar aqui à espera de que a nação assegure um mínimo de estabilidade ao país e fundilhos dignos e limpos a quem meus braços acolhem e meu estofado sustenta.

Frei Betto

Assessor de movimentos sociais. Autor de 53 livros, editados no Brasil e no exterior, ganhou por duas vezes o prêmio Jabuti (1982, com "Batismo de Sangue", e 2005, com "Típicos Tipos")

Frei Betto

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