Aposentadoria fica, Temer sai! O 15M foi um grande ponto de partida

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Atos que totalizaram centenas de milhares em 19 capitais e centenas de cidades do país, paralisações parciais em pelo menos 28 categorias, com eixo no setor da Educação e em diversos setores do transporte público e que ocorreram tanto no setor público como no setor privado, ocupações de ministérios e superintendências do INSS entre outros prédios públicos, bloqueio de estradas. Este autêntico dia massivo de luta, manifestações e paralisações nacionais dá a dimensão da centralidade e capacidade de mobilização que a luta contra a Reforma da Previdência ocupa na agenda de todos os atores sociais dos explorados e oprimidos.

Mas também tiveram enorme importância as demonstrações de rejeição ao governo golpista de Temer em todas essas manifestações. Não por acaso um dos slogans principais das manifestações do dia de luta das mulheres, no 8 de março, esteve presente novamente no 15M: “aposentadoria fica, Temer sai”. Nem mesmo as câmeras dos canais Globo, em sua cobertura prudente do dia 15, conseguiram esconder as faixas e cartazes de populares que se postavam ao lado dos repórteres com os dizeres “Fora Temer”.

Indiscutivelmente, o 15 de março pode abrir uma nova perspectiva para a resistência social contras as reformas ultraliberais, a depender da sua continuidade e da capacidade de se manter a unidade de ação com o objetivo de produzir novas mobilizações e iniciativas para, em particular, barrar a reforma previdenciária em particular.

Esta perspectiva da resistência social é alentada pelo quadro de agravamento da crise política e institucional no andar de cima da República com a lista de Janot, que atinge em cheio o governo Temer, os líderes das duas casas do Congresso, figurões do PSDB e novamente do PT.

Some-se a isso a alta impopularidade do governo Temer, o agravamento da crise econômica e social e temos, sim, um cenário onde se abre uma enorme brecha para, como mínimo, ter no horizonte a possibilidade real de barrar a reforma da Previdência. Não seria uma vitória qualquer, pois ela poderia liquidar politicamente o governo Temer e sua utilidade para a burguesia. Talvez seja esta a via mais concreta para se efetivar o “Fora Temer”, pois as questões aqui estão interligadas.

Em que pese a amplitude de ataques, por exemplo, do peso que a reforma trabalhista tem para os objetivos do grande capital, assim como a força que o Fora Temer preserva em todo tipo de manifestação, como foi no caso do carnaval deste ano, a bandeira que tem a maior capacidade de mobilização e precisa ter a centralidade da mobilização é a reforma da Previdência. É a luta de massas que atinge a todos e todas, que vai acabar com o direito à aposentadoria numa proporção que não há parâmetros no nosso continente. E isto é muito fácil de explicar e ser entendido pelo povo. Aliás, o 15 de março deixou nítido que há uma ampla compreensão do tema.

Ainda sobre os atos, cabem algumas palavras sobre a polêmica presença de Lula na Avenida Paulista. Embora estejamos no momento da mais ampla unidade de ação, e isto implica em que não há como vetar quem quer que seja nesta frente de centrais, movimentos sociais e partidos da oposição ao governo Temer e suas reformas, é preciso deixar nítido a toda a população que este movimento não está a serviço da candidatura de Lula em 2018.

Entre outras razões porque quando presidente seu primeiro grande projeto foi iniciar a pesada Reforma da Previdência no setor público. Mas, principalmente, porque o modelo de conciliação de classes e manutenção dos privilégios aos banqueiros e agronegócio durante o ciclo dos governos petistas esgotou-se e ajudou a abrir as portas para a derrota que todo o movimento sofreu quando do golpe parlamentar.

A luta contra a reforma da Previdência unifica todo o movimento e a esquerda; Lula, não. Pois a esquerda e os movimentos sociais terão dois desafios de grande monta. O primeiro é prático: derrotar o governo Temer e suas reformas; o segundo de fôlego mais estratégico: formatar um projeto, um programa para o Brasil, que também supere o modelo de conciliação de classes do ciclo que recém se encerra.

Voltando aos desafios imediatos, é preciso agora que uma nova jornada de lutas seja construída combinando mobilizações de rua, novas paralisações e toda sorte de inciativa (plebiscito, abaixo-assinados etc.) e que ajude a massificar e envolver a maioria esmagadora da população em toda ação que tenha como centro barrar a reforma da Previdência. O momento é o de aproveitar a brecha aberta e o impulso das manifestações de 15 de março.

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